Amigos virtuais

 

Criticar e condenar as redes sociais como responsáveis pelo isolamento interpessoal virou moda, sendo alvo de profundos estudos psicológicos. Mas nós, do Portal Amantes da Vida levantamos às alturas a bandeira contrária, sobretudo para o nosso público alvo – a turma de RG baixo e astral alto.

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A Internet definitivamente acabou de vez com a tal solidão, sentimento inerente ao antigo conceito da velhice.

No momento em que se enfrenta o “bicho de sete cabeças”, constata-se quase que imediatamente tratar-se de um animalzinho de estimação já inseparável e abre-se assim um mundo maravilhoso, onde a triste emoção não tem espaço.

A maioria dos novos internautas entra timidamente nas redes sociais chegando até a princípio achar-se convencido pelas críticas, tratarem-se de espaços invasivos.

Na medida em que com a maior cautela for se familiarizando com a dinâmica das tais redes, a ótica vai dando umas reviravoltas e quando vê, já está viciado nos troca-troca de postagens.

Há de tudo para todos os gostos. Quer apenas resgatar amigos antigos? Em uma clicada o passado volta imediatamente ao presente e ‘bye bye’ solidão.

Nos grupos sociais é totalmente possível sentir-se participando de causas que nem se sonhava existir. A autoestima vai para as alturas na medida em que se sente inserido ativamente na atual realidade mundial. Estando contente com si mesmo, como sentir a tal solidão????

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É simplesmente assustadora a velocidade das informações e ausentar-se das redes sociais é distanciar-se do que se passa em “off” da grande mídia. As notícias são jogadas na rede e imediatamente trazem elementos passíveis de alterar posições anteriores. Discutir consigo mesmo é um bom modo de afastar a solidão também.

Quantos grupos são formados nas redes sociais que acabam agregando fisicamente seus participantes?

Aos que comungam das mesmas ideias, projetos e programações são elaborados em comum com pleno êxito, vindo inclusive a abrir portas para pessoas desconhecidas, mas ligadas pelos mesmos interesses. Solidão ????

Lá atrás era um drama ficar ‘micado’ em casa em um fim de semana. Ali sim, pintava um tremendo clima de solidão com pitadas de rejeição e mal tínhamos chegado à maturidade!

A mesma situação hoje em dia, longe está de se revestir deste sofrido sentimento, para quem interage nas redes. Amigos reais e virtuais estão na telinha ao vivo para um papo ou, deixam postagens que fazem o pensamento voar, os olhos verem o belo e a alma dar gostosas gargalhadas.

Nos velhos tempos, a passagem por uma dor qualquer era dividida com meia dúzia de amigos.

Agora, basta um simples comentário superficial e do nada surgem dezenas de palavras maravilhosas de anjos que incorporam amigos desconhecidos para darem forcas naquele período.

Isto sem falar que a globalização das redes sociais permite que amigos e parentes super distantes no espaço participem das movimentações uns dos outros, impedindo assim que os laços afetivos sejam desfeitos.

Poderia me estender na tese, mas é bom saber que nas redes sociais, textos longos não colam!

Mas nada impede que amigos queridos reais ou virtuais reforcem a máxima de que solidão não rola nas redes sociais. E caso alguém tenha uma recaída e se sentir sozinho, basta pedir um help e anjos na mesma hora desandam a teclar para o clássico velho.

 

Que venha o Outono!

Felizes os novos coroas que sabem gozar na plenitude o outono !!!

A espetacular tela que a Natureza começa a pintar, passa despercebida, dando lugar apenas ao lamento do inverno que se aproxima. No início, as folhas fracas começam a forrar o chão e as mais fortes preparam-se para a magia que a clorofila, a antocianina e a carotenóides vão produzir.

As remanescentes tornam-se ligeiramente amareladas, como que insatisfeitas com a perda do viço. Mas o despontar do tom alaranjado já indica a arte em construção.

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As mais efusivas começam a escolher o vermelho, cor das poderosas para se distinguirem no futuro próximo. Imperceptivelmente, o rubro vai escurecendo, até se tornar marrom, aliás, cor chiquérrima. Claro que no reino vegetal também existem folhas “peruas” assumidas que são contempladas com tons de dourado.

Poucas são as que chegam ao preto total, mas acho eu, ser o sonho de consumo das frescas flores. O outono também se distingue por ser a estação da colheita, diga-se “en passant”.

Sem a menor dúvida, a reflexiva cultura japonesa desde sempre estabeleceu a relação entre a natureza e o homem. Mas também, por lá não surgiu nenhuma lei decretando que aos 60 anos o individuo é… idoso! Aos velhos com jeitão de velho… mesuras e analogias poéticas e dramáticas com a Mãe Natureza.

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Mas com certeza foi um brasileiro “antenado” que ao se deparar com a tela completa do outono, resolveu fazer uma releitura da sabedoria oriental. Passar a existência curtindo as delícias do verão… pode-se até achar ao contrário, mas que vira monotonia vira.

Como ilustram este texto, momentos iguais, mostram colorações diferentes e todas… maravilhosas! Com a irreverência natural do patrício, permitimo-nos compartilhar a hipotética apreciação.

As folhas caídas intempestivamente no chão correspondem às pessoas que já se foram pro outro lado, ou assumiram literalmente a clássica velhice, desistindo de viver.

As amarelecidas tênuamente, seriam aquelas que não se conformam com a inexorável chegada avançada da idade cronológica e ficam super abatidas por estarem perdendo o viço. Agarram-se desesperadamente à juventude e ai de quem ousar chamá-las à realidade, mas não é possível que assim permaneçam, quando começam a ficar alaranjadas. Sucumbem ou se preparam para encarar numa boa a desconhecida, mas nova colorida fase.

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Começam a entender que não adianta insistir no puxa aqui e estica ali, sob pena de se transfigurarem esteticamente.

Os mais condizentes com a nova realidade, onde a expectativa de vida subiu horrores, sentem-se no máximo dos máximos quando se comparam às maravilhosas folhas vermelhas. Trazemos a imagem otimista do controvertido teólogo Leonardo Boff: “Uma das maiores vantagens é não precisar usar mais as máscaras que a vida impõe a cada momento.

A vida é como um teatro, no qual você é chamado para representar diversos papéis. Com a maturidade, alcança-se o privilégio de se livrar de todos eles e finalmente ser você mesmo.

Compromissos zero, tempo mil para ser usado como lhe aprouver, inclusive para curtir o ócio com dignidade. Ao analisarem um poema de autoria de Rivkah, uma escritora brasiliense que dá trato ao outono da vida, fazemos nossa, a interpretação dada pela paulista Marciel Salavrerry.

“Poeticamente a autora dá uma paulada na cabeça daqueles que ficam chorando amores e oportunidades perdidas. O que passou não deve ser lamentado. Se as lembranças foram boas, dá para curtir uma saudade, mas se forem tristes, para que relembrá-las? Esqueçamo-las e vamos tratar de viver o futuro. Ele está aí esperando que sequem as lágrimas dos amores passado, para que se possam viver os que vierem!”

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Outono-tempo da colheita, onde surgem os frutos plantados. Faltou alguma coisa? O novo outono é cumprido e dá tempo para reformulações das sementes.

Mesmo que o tempo comece a flagelar o físico, o que é mais do que natural, estar marrom dignifica a vida. Chegar com altivez na velhice propriamente dita  era para poucos.Agora é normal vermos pessoas ditas marrons,beirando os 90,cem anos que não sucumbem às naturais deficiências físicas.

Espero que quando ficarmos pretas como as folhas, novidades tenham surgido para prolongarem o tempo da ausência das cores. Mas como diria a politicamente incorreta senhora dos absurdos, passou dos cem… “vai faltar comida pros neguinhos”…

Por enquanto, vamos curtir o nosso brilhante vermelho, excluindo inclusive o estereótipo de que a maturidade traz sabedoria. Os rubros de hoje estão aí à busca de novos aprendizados, novas experiências e desceram definitivamente do pódio de donos da verdade.

Fazer do outono A estação é a meta dos Amantes da Vida.

 

Mindfulness – Atenção plena

Os que estão culturalmente atualizados no século XXI, começam a perceber que finalmente a ciência e a espiritualidade estão parando de disputar os holofotes. Rituais envoltos na área da religiosidade começam a entrar no palco da ciência. Lá atrás já havia começado a paquera com um poeta italiano que bolou o ditado “mente sã em corpo são”, mas só na década de 60 do século XX, um monge budista vietnamita – Thich Nhat Hanh assumiu o namoro da técnica de meditação budista com os fins medicinais – psicoterapêuticos.

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Um número significativo de pesquisadores médicos e psicólogos resolveu dar credibilidade ao “casal” e começou a pesquisa que concluiu que independente da conotação da religião budista, a tal da meditação leva sim ao tratamento de dores cronicas, sobretudo em sintomas de ansiedade e depressão que o estresse provocava.

O ser humano é tão perfeito que já saiu da fábrica com um hormônio chamado cortisol que serve para dar energia muscular quando a pressão externa é grande. Um cara das cavernas quando saía para pegar um animal grande, claro que ficava “estressado” um pouco e o tal cortisol na medida certa, ajudava a que ele voltasse ao equilíbrio emocional.

Atualmente as pressões são tão intensas que o cortisol enlouquece e sai em disparada, causando estragos por onde passa no nosso organismo. Com a mente pressionada violentamente não há corpo que consiga se manter são. A doença pode ser um meio de nossa mente encontrar a solução para os conflitos inconscientes, buscando saídas através do corpo. Assim também o corpo exagerando nos objetos de satisfação (bebida, comida, drogas etc.) pode provocar um desequilíbrio mental. Mas tudo bem, já que não dá para fugir de situações estressantes, o negócio é brecar o tal do cortisol. Mas como?

Os pesquisadores sacaram que os monges budistas tinham a fórmula mágica – através da meditação conseguiam controlar a mente e obter o equilíbrio emocional. Tanto que em uma complicada técnica para medir quem era o ser humano mais feliz do mundo, a taça foi para o filho de um filósofo frances que atualmente é monge e traduz as palavras do Dalai Lama, Ricard Mathieu. Impossível definir o número de benefícios que a meditação oferece mas, só de saber que através dela se alcança a paz interior whoooo!

Os estudiosos nas suas pesquisas, concluíram que alguns elementos ligados à prática budista, não tinham qualquer relação com os efeitos da meditação. O importante é aprender a dominar a mente. Tanto que criaram um novo nome para a velha técnica – MINDFULNESS (atenção plena).

Na hipotética hipótese de ser ensinada esta técnica a todos os seres humanos na mais tenra idade, em 30 anos a Terra seria habitada só por pessoas que tenham a sabedoria para alcançar a alegria de viver e, em cada praça do mundo teria uma estátua do poeta romano Juvenal homenageando sua liberdade poética “MENS SANA IN CORPORE SANO” .

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A prática da meditação

 

Quem ainda imagina ser a meditação uma prática exclusiva de monges, está redondamente enganado. A prática do relaxamento mental usado há séculos a nível espiritual passou a ser alvo de estudos científicos que comprovam que o treinamento efetivamente modifica as áreas cerebrais.

Trocando em miúdos, a proposta da meditação é limpar a mente mais do que possível e sem perceber incríveis “insights” surgem tão miraculosamente que chegam a assustar. Provavelmente esta harmonia mágica levou a ser difundido o método, como exclusivamente espiritual.

Hoje a ciência contemporânea realça cada vez mais a importância do treinamento mental no controle do tal cortisol, principal hormônio relacionado ao estresse. O cérebro é uma coisa muito complicada, mas é nele onde todo o emocional é comandado. Tanto que o cortisol que é segregado por uma glândula nos rins, é controlado pela pituitária que fica no cérebro.

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Está mais do que comprovado que as pessoas que praticam a meditação conseguem diminuir os níveis do cortisol e consequentemente o estresse, o grande responsável pelo desequilíbrio emocional.

Em que pese ser indicada no auxílio de tratamentos emocionais, a meditação traz tantos benefícios que a meu ver deveria ser incluído em currículos escolares desde a infância.

Que a vida lá fora é cheia de situações desagradáveis, que podem levar às doenças físicas mesmo, todo mundo sabe. Mas o que poucos têm noção é de que através sobretudo da meditação, pode-se reprogramar a maneira para absorver positivamente os fatos.

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Afastando-se o estresse, a farmácia se distância consideravelmente. A psiconeuro-imunologia, por exemplo, chegou à conclusão de que as doenças agravadas pelo estresse são curáveis com a poderosa força do relaxamento e meditação.

Encarar este método não é fácil no início, pois estamos tão acostumados a objetivar nossos pensamentos para dirimir situações, que é difícil esvaziar a mente. Mas existem até treinamentos em vídeos que dão as dicas do aprendizado.

Cursos aos montes onde certamente valorizam com conhecimento específico o peso da meditação no corrido dia a dia podem ser encontrados. O importante é entrar em contato com a milenar prática e comprovar pessoalmente o quanto a vida torna-se muito mais fácil e mágica com a prática constante da meditação.

Para que esperar usar o método para recuperar a saúde? A sabedoria está em aprender a meditar e prevenir-se dos males físicos provocados pelo emocional.

 

História de Noel

 

Lá no remoto sec. IV, mal sabia o arcebispo turco Nicolau de Taumaturgo que além de virar santo, se tornaria o velhote mais conhecido no distante futuro. O caridoso homem em carne osso, na época do Natal colocava em saquinhos moedas que arrecadava e distribuía entre os pobres que moravam na sua cidade – Mira.

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O simpático gesto começou a ser repetido e as moedas trocadas por presentes. Mas a figura heráldica do bispo com seu traje verde permaneceram fiéis às origens. No grande interregno entre o verdadeiro bom homem e o que passou a serem representados séculos depois, muitos água rolou e o coitado acabou virando lenda.

Claro, com tantos figurantes que foram sendo acrescentados, nem o Nicolau acreditaria ser o próprio. Para inicio de conversa, a fama da figura natalina já corria o mundo quando em 1822 um professor de literatura grega, para enriquecer a imaginação dos seus seis filhos, inventou que o velhote de verde sobrevoava o céu num treno puxado por quatro renas e jogava os presentes pela chaminé. Não sei por que cargas d’água, em 1939 entraram mais três renas que iriam ajudar em caso de tempestade. As danadas têm até nome que em português seriam; Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago.

A turma de estudiosos de plantão não se manifestou sobre a escolha do animal nem pelo aumento do grupo de renas. Mas sobre as chaminés a explicação veio – Nesta parte da casa era feita na época do Natal uma bela faxina, para que a sorte entrasse e ficasse o ano inteiro. Aí também, com todo o respeito, mergulharam pesado na imaginação, pois na verdade deveriam ser limpas para que cumprissem o devido uso é claro.

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Nestas alturas o bom homem vestido de verde que pilotava um trenó puxado por nove renas, já era uma constante nos Natais ao redor do mundo. Eis que em 1931, num tremendo lance de marketing a Coca-Cola repetindo com êxito o que outros tentaram, resolveu repaginar o St. Claus. O cartunista Thomas Nast criou um velhote gorducho, bonachão, com barba branca, vestido com as cores do também já famoso refrigerante. A campanha teve tanto êxito que atualmente apenas os mais ortodoxos insistem no verde original.

O verdadeiro Nicolau se possível, deve se divertir com a não discreta figura que virou. Mas também se possível deve sentir-se orgulhoso em ver que seu exemplo de amor ao próximo ao menos numa época do ano vem sendo seguido. Como no céu não existe gente fofoqueira, ninguém vai comentar a desvirtuada que os comerciantes deram ao seu caridoso gesto.

Seguindo a linha já em desuso de ser o pai o provedor, nos países de língua espanhola assim como os do nosso português é conhecido como Papai Noel.

Como os italianos acham a figura muito velhota para ser pai, tratam-no de Babbo Noel (vovô Noel). Os ingleses já tem mais intimidade com o alegre velhote e o chamam-no de Father Christman (irmão do Natal). Os poucos japoneses cristãos, para não darem muita bandeira, o chamam de Jizo.

Pieguice e curiosidades à parte, desejamos que nossos leitores lembrem-se também dos menos favorecidos ao presentear no Natal, em nome dos creditos devidos ao santo-bispo.

Os votos do Portal Amantes da Vida são que cada um resgate sua crédula criança interna e espere ansiosamente a noite mágica do Natal, onde Papai Noel irá sobrevoar os céus e realizar os seus sonhos.

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Monet em Giverny

 

Ao lado das grandes metrópoles escondem-se tesouros que passam desapercebidos pelos turistas pouco atentos. A apenas 40 km de Paris, por exemplo, a pequena e charmosa Giverny conserva com respeito, o maravilhoso jardim bolado por Claude Monet.

O carro-chefe do impressionismo, adorava pintar ao ar livre, onde o jogo de luz e sombra era a base de sua inspiração maior. Aliás, diga-se de passagem, que graças ao seu quadro “A impressão nasce do sol”, seu inovador estilo passou a ser chamado  de impressionista.

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Sei lá como, Monet acabou indo parar no pequeno vilarejo. O fato é que ele se apaixonou tanto pelo pedaço, que mudou-se de malas e cavaletes para lá em 1883 e ali permaneceu criando, até a sua morte em 1928. Como todo gênio que se preze tem um pouco de louco, Monet resolveu criar sua própria paisagem para que suas tintas as registrasse.

Conforme relatos de historiadores, ele ficava uma fera quando ia dormir imaginando o que faria no dia seguinte e ao acordar, o tempo estava nublado e não correspondia ao seu desejo. Mas… tudo bem. Não vamos dar uma de fofoqueiros de plantão!

O que interessa é que ele imortalizou em seus aparentes “borrões” suas obras realizadas em Giverny, onde a que mais se destaca é a série Nenufares, sendo que um dos quadros foi vendido pela Sothebys em Londres por 26 milhões de EUROS!

Para produzir esta famosa série, Monet mandou construir em seu jardim uma bucólica ponte oriental que se instalaria sobre um também artificial riacho. Claro que já tinha em mente, flagrar com suas tintas, a dança das vitórias régias embaladas com o movimento das brisas. Prevendo o sucesso que acalentaria não só o seu ego, mas o mundo inteiro da arte, este seu projeto tornou-se uma obsessão  até ser concluído.

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Percorrer o maravilhoso jardim no século XXI, tem-se a impressão de que todas as flores sabem que suas ancestrais foram famosas modelos. Não há disputas entre elas. Dálias enormes não tiram a graça das pequenas violetas a seus pés.O resultado final é uma sinfonia visual estarrecedora! Tirar uma foto em cima da tal ponte, é simplesmente um luxo!

Tudo bem encarar a Tour Eiffel e as filas para apreciar as centenas de exposições na maravilhosa Paris, o que é imperdoável é não reservar um bate-volta rapidinho em Giverny.

Percorrer a casa do super renomado artista é entrar tanto na intimidade de Monet, que passa a sensação de ter sido amigo de juventude de Claude.

C´est ci bon !!!!!!

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Thanksgiven Day

 

A “paternidade” do Thanskgiven Day vem sendo disputada há séculos. Mas também, que Estado não gostaria de constar como o instituidor da maior festa dos EUA?

Na linha de largada estão os Estados do Texas, Virginia, Massachusetts e até a Flórida. Na verdade, os puritanos que singraram os mares no Mayflower, trouxeram na alma o costume da Inglaterra e logo no primeiro ano já introduziram onde estivessem o dia voltado para o jejum e Ação de Graças.

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Abrahan Lincoln, na feliz tentativa de diminuir a adversidade entre os Estados, tratou de determinar que a última quinta-feira de novembro fosse Feriado Nacional. Mas claro que a guerra civil rolava solta e reconhecer a autoridade do Lincoln não estava nas intenções nos belicosos.

As celebrações foram sendo feitas individualmente. Pintou a terceira semana de novembro, as famílias se reuniam em dias diferentes em torno de uma mesa farta onde o peru sempre foi prato imprescindível. Até que, no ano de 1941, Franklin Roosevelt resolveu colocar ordem no pedaço e com uma canetada fixou que a quarta quinta feira do mês de novembro, quisesse ou não, seria Feriado Nacional o Thanksgiven Day.

De lá para cá, os EUA simplesmente param para que as famílias e amigos se juntem dando graças, participando se quiserem de rituais religiosos, mas que não falte uma mesa farta, com pratos regionais apreciados pela família unida. Sem necessidade de canetadas, o peru é a ‘pièce de résistance’ que não pode faltar. Em 2013, simplesmente 46 milhões de perus pararam de fazer glu-glu às vésperas do grande dia.

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Mas dois são salvos formalmente pelos últimos 11 Presidentes. Repetido o simpático gesto de Harry Truman, solene e publicamente fazem a cerimônia do perdão a duas espetaculares aves, que após o ato, são enviadas para ser o alvo de atenção na grande parada de Ação de Graças da Disney na Califórnia.

São tantas as festas nesta data que muitas empresas concedem um fim de semana com 4 dias para que amigos e familiares possam se locomover em torno do peru, digo, da família.

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Independente das origens religiosas é muito bonito reservar um dia do ano para agradecer as forcas maiores pelos bens conquistados e dentre eles, o bem maior que é a família. Simplesmente 38,7 milhões de americanos viajam no mínimo 80 km para a grande comemoração. Como a turma é fanática por futebol, partida onde o Detroit Lions está sempre presente vem sendo televisionada há anos em rede nacional no nobre horário post peru.

Das centenas de paradas, inegavelmente a do Macys é o show maior. Mais de 3 milhões de pessoas se acotovelam entre a 7 e 34 Street em Manhattan para apreciarem os blocos que desfilam com os trajes dos colonizadores que conflitam com os divertidos balões coloridos de personagens de desenhos infantis.

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Um pouco sobre nós

 

A exagerada quantidade de emails dando dicas sobre atitudes politicamente corretas aos que se aproximavam dos 60 anos, foi a primeira percepção de que algo pairava no ar…

Assim como estudiosos de comportamento na década de 60 desconfiavam que a insatisfação das mulheres poderia estar sendo causada por problemas nos aparelhos domésticos que não funcionavam bem, me pareceram que os patéticos conselhos seriam tão superficiais quanto.

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A foto que ilustra este texto foi divulgada pela Internet, sempre com comentários debochados sobre as arrojadas senhoras. Por ter tido a sorte de passar por Londres na década de 70, quando foi dada o ponta-pé inicial da revolução de comportamento, na hora associei as ousadas figuras às jovens que impressionaram a garota de então. Sem qualquer movimento agressivo como as queimas de soutiens, os rostos de algumas poucas meninas, meticulosamente desenhados com muitas cores, contrastavam com suas bem comportadas posturas e lá estavam elas em filas de ônibus passando totalmente despercebidas pelos discretos londrinos.

Aqueles rostos pintados que não causavam qualquer distúrbio aos clássicos ingleses, despertou em mim uma enorme admiração por refletirem uma coisa chamada – liberdade.

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Claro que pela Carnaby Street e por Chelsea sobretudo, a mini saia de Mary Quant começava a imperar e os desenhos geométricos de Courreges deixavam os florais para as “seniors” de então. A proposta de paz e amor dos hippies criava um estilo próprio. Mas nada me passou com mais força o que estava acontecendo do que as poucas meninas com trompeils nos seus rostos.

Pena que à época não existiu um Ari Set Cohen para deixar para a posteridade a silenciosa e colorida revolução. Efetivamente, as imagens foram gravadas apenas nas minhas lembranças, pois não achei uma fotografia no incrível Google.

Liberdade foi o que também me passou pela mente com muita intensidade quando vi a foto das corajosas senhoras. A extravagância no vestir a meu ver, reflete muito mais uma quebra de padrões do que mero exibicionismo barato.

As ditas “ridículas” senhoras para mim indicam claramente que se cansaram do padrão convencional das clássicas vovós e apontam caminhos para a nova velhice.

O mundo fashion não poderá dispensar o novo consumidor que está despontando com força no mercado. Releituras de Mary Quant e Courreges devem estar sendo feitas nos bastidores, agora dirigidas aos charmosos coroas. Brigas de foice acontecendo para alterar o símbolo gráfico dos velhinhos com bengala… Expoentes nas artes demonstrando que a longa idade não é fator impeditivo para se ter sucesso.

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Mas assim como as meninas “ridículas” de Londres que se preparavam visualmente com requintes artísticos para irem trabalhar, as “engraçadas” senhoras que se fantasiam para suas happy hours descontraídas, para mim indicam revolucionários novos ares para a turma da terceira, quarta, quinta, sexta e sétima idade.

Acompanhando o movimento que cada vez toma mais força, resolvemos ser um dos arautos que usando a Internet como trombetas, anunciam que uma importante alteração comportamental está acontecendo no século XXI – a dos novos velhos. Aos ingênuos conselhos distribuídos sobre como ser agradável à família, damos as costas e nos viramos para a nova realidade.

O sênior de hoje tem a liberdade para resgatar o entusiasmo da juventude e com ele reprogramar os muitos anos que tem pela frente. E assim… surgiu o Portal Amantes da Vida.

A Tocha Olímpica

A Tocha Olímpica

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‘A chama Olímpica significa a criação do mundo e sua renovação através dos jogos, os Gregos consideram um elemento divino. O fogo é acesso através dos raios de sol em uma lente côncava, fazendo com que esses raios se unam em um ponto único gerando o fogo’.

O revezamento da tocha olímpica que agora percorre vinte mil quilômetros no Brasil, segue com a tradição que teve início nas Olimpíadas de Berlim em 1936. O esperto do Hitler resgatou não só a chama olímpica da antiguidade, como deu nova leitura ao anúncio que os atletas gregos faziam nos meses que antecediam os jogos.

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Com efeito, desde a primeira competição no ano 776 AC, durante os jogos da Grécia, ficava acesa uma chama que seria entregue às divindades pelo vencedor da corrida… Durante os meses que antecedem o evento que era repetido a cada quatro anos, atletas viajavam pela Grécia, como anunciadores da Paz e ficava estabelecido que durante o evento esportivo, as guerras estavam suspensas.

Houve um intervalo de tempo bem grande e só em 1896, foi retomada em Atenas a competição, onde a chama olímpica não se fazia presente. Não se sabe o que levou Amsterdã a introduzir a pira olímpica em 1928. Já que voltava a tradição do fogo, a Alemanha nazista, pretendendo “limpar a barra” recriou o cortejo da tocha.

Um enorme sino, onde se lia ‘EU CHAMO OS JOVENS DO MUNDO’  celebrou a chegada da tocha na cidade olímpica. O regime tentava desta maneira se apresentar como pacífico e ansioso em conviver num reduto de Paz. A simbologia ficou tão interessante, que de lá para cá o revezamento tornou-se parte vital do ritual das Olimpíadas.

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Nos meses que antecedem o evento, uma chama é acesa em Olímpia numa cerimônia cheia de pompa e circunstância. Mulheres fazem a representação das sacerdotisas e encenam uma cerimônia, onde a tocha é acesa por meio dos raios solares concentrados através de um espelho.

De lá, a chama sai em peregrinação em direção ao país sede da vez e deve chegar ao estádio no dia anterior ao início das competições. Em 1948, pela primeira vez a tocha viajou de barco, para atravessar o canal da Mancha e teve seu primeiro voo em 1952 rumo a Helsing.

Desta vez, a tocha chegou ao Brasil em maio/2016 e de lá para cá, vem atravessando 300 cidades, por onde 1.500 privilegiados que se revezam no transporte da chama.

Que neste trajeto, a tocha tenha anunciado a Paz e, que no dia 1 de agosto, a chama vinda da Grécia, paire na pira das Olimpíadas, unindo as nações do mundo inteiro em torno dos seus atletas.

 

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Nilton Travesso

 

A garotada que hoje vivencia com maestria a nova era da informática, com certeza desconhece que seus avós viram nascer a televisão no Brasil. Hoje, o Portal Amantes da Vida reaviva lembranças, na certeza de que não existe futuro sem passado. 

Nilton Travesso num gostoso e informal encontro nos deu umas pinceladas, para contar como foi o seu ingresso no mundo mágico da televisão.

A TV engatinhava, quando se inscreveu em um concurso aberto por Paulo Machado de Carvalho que estava selecionando pessoas para a emissora que estava fundando. Mesmo sendo muito jovem, já se sentia fascinado pelo então espaço informal do aprendizado. Estudara canto e chegou a ser comparsa do Teatro Municipal. Fazia um curso de cinema no Museu de Arte Moderna de São Paulo, à Rua Sete de Abril…

Algo o distanciava do convencional e apontava para um mundo mágico que estava nascendo e que viria para se instalar definitivamente. 

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Aprovado, durante seis meses se dedicou com afinco ao estudo de todas as técnicas do universo da televisão – sonoplastia, luz, câmera etc. E, como camera man entrou para a recém-criada TV Record, isso em 1953. Sobre as dificuldades técnicas na época, Travesso nos divertiu com suas histórias.

Segundo ele, no início, o improviso e a criatividade dominava na TV. Ainda que sentisse que seu futuro estaria atrás das câmeras, fazia das tripas coração para que tudo caminhasse dentro dos conformes. Iriam filmar um jantar elegante? Lá vinha ele trazendo de casa os copos, talheres, pratos. Até ator acabou sendo, quando precisaram inventar um irmão para o John Herbert. 

Fez então sua estreia, atuando ainda mais algumas vezes, mas não era esta a sua paixão. No início a ausência do “vídeo tape” fazia parte e os programas eram todos ao vivo. Indagado se os “cacos” ou acidentes no percurso incomodavam o serio diretor, Nilton nos encantou, afirmando que a edição dos programas desacelerou o comando interior da naturalidade: “No começo da TV, trabalhava-se com alma e espontaneidade, passando emoção”.

Ao ser indagado sobre a inexistência de atores televisivos, nos trouxe informações perdidas no tempo. Talentos trazidos do teatro, como Sérgio Cardoso, Cacilda Becker, Cleide Yaconis, Ziembinski, abriam um novo espaço na teledramaturgia da TV Record. 

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Sua naturalidade, seu caráter, seu desprendimento de vaidade vieram à tona quando indagado sobre os incríveis shows internacionais que dirigiu. E foram muitos: Sammy DavisJr, Nat King Cole, Maurice Chevalier Charles Azsnavour, Ballet Béjard, Marlene Dietrich. 

Elogiou a seriedade profissional de Marlene Dietrich, contando que, aos 60 anos, ela ensaiou, antes da estreia, até alta madrugada ao som do seu pianista Burt Bacharat, e guardou na lembrança, com emoção, um singelo fato – os cuidados que ela teve com ele quando um músico sem querer, fechou a porta na sua mão; carinhosamente, ela o levou para seu camarim para lhe colocar gelo. Muitos que aplaudem com entusiasmo Caetano Veloso, desconhecem ter sido o Nilton Travesso quem provocou o despertar do tímido garoto que ficava na coxia do Teatro Record ouvindo Roberto Carlos. 

“O que você está escondendo? Perguntou Nilton a ele. Por que não joga pra fora o seu talento”? De um encontro na Pizzaria Esperanza, saiu não só a pergunta, como a inclusão do franzino baiano no programa “Uma noite se improvisa” onde Caetano não só ganhou o prêmio do programa (um Dauphine zero km) como toda uma vida de talento reconhecido. 

Palavras textuais de Travesso: – “Tenho o maior prazer em conviver com o ser humano e extrair dele o que tiver de melhor”.  Mas, reconhece a dificuldade em ter atravessado sua carreira de diretor, lidando com o ego dos atores. Está aí o grande desafio que o move – saber administrar a turbulência do dia a dia. “Ser tolerante é saber ser útil”, diz Travesso, e essa é a lição que nos passa. 

Sua sensibilidade aos movimentos atemporais o levou a sempre assumir a direção de programas up to date. 

Dos Festivais de MPB, Fino da Bossa, Grandes Concertos, até ao TV Mulher, primeiro programa no mundo dirigido à mulher que começava a emancipar-se. Graças a ele, Nilton foi contemplado com uma premiação na França e saiu na primeira página do New York Times. 

Para a mulher que estava em casa, assuntos de interesse eram apresentados de forma a não atrapalhar os serviços domésticos. 

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Temas tabus, como sexualidade, começaram a ser ventilados por vozes escolhidas a dedo por ele. Abriu com competência o leque de pessoas que ajudariam a compor o perfil da nova mulher que despontava. 

Nestes quase 60 anos de dedicação à TV não temos como não associar diretamente o nosso “Amante da Vida” Nilton Travesso com a televisão no Brasil. Aliás, como bom representante da nova geração – a dos “evelhescentes”, ele afirma, categoricamente, que depois dos 60 anos começou a viver melhor. 

Nesta idade, segundo ele, você domina melhor as situações interpessoais, passa a ter controle maior sobre a ciranda da vida, faz com que a paixão se libere. “Enquanto jovem, existe a competição, e esta é cruel. O jovem não tem o mais importante que é poder saborear o dia a dia. Com a idade, esta é a nossa conquista maior”. 

Nilton Travesso distribui sua paixão com garra e entusiasmo em todas as suas atuações. O excelente programa “Saia Justa”, onde, aliás, a atriz Maria Fernanda Cândido será a próxima a participar é a sua atual principal preocupação atualmente. 

Há 12 anos, Nilton criou a Oficina de Atores Nilton Travesso, escola de formação de atores para Teatro e TV, de onde saíram alguns nomes conhecidos do grande público, como Ana Paula Arósio. 

Desse modo, uma vez mais, Nilton Travesso contribui ativamente para o engrandecimento da arte cênica no Brasil. 

Seu grande desafio seria levar ao cinema a novela Éramos Seis, dirigida por ele e ganhadora do Troféu Imprensa 1995. Mas sua modéstia o impede de vibrar com o filme biográfico que pretendem fazer sobre ele. Assim é Nilton Travesso.

Ao seu lado, a querida Marilu, sua esposa e companheira de tantos anos, encontra a tranquilidade para dedicar-se ao seu novo livro “Caminhos da Fé II”, e dos seus quatro netos queridos.  Lucas, de 14 anos, já o desafia em partidas de tênis, outra grande paixão.

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E Nilton termina: “Não sei por conta de que mistério genético, uma boa dose de minha paixão pela TV foi transmitida ao meu filho Marcelo. E aí está mais um Travesso, colecionando experiências, vivendo emoções, guardando histórias, para contá-las, sabe Deus quando. É o ciclo da vida”.

A nós, meros tele espectadores, não nos cabe adivinhar os próximos passos da televisão brasileira. Mas Nilton Travesso, com certeza, já tem nas mangas do colete, resultados para os desafios que poderá continuar a enfrentar.