James Akel

 

James Akel é paulista nascido nos anos 50, com raízes sírias e libanesas. Como geminiano, é muito difícil defini-lo. È um caleidoscópio humano, com personalidade de infinitas facetas… todas otimistas e encantadoras.

Desde cedo teve inúmeras atividade profissionais e, pasmem aos seis anos de idade foi o mais jovem apresentador de TV da história, com contrato assinado na TV Paulista (antigo canal 5). Partiu a seguir para a TV Record onde, por quatro anos foi protagonista do seriado “A Turma dos Sete”, líder de audiência por todo o tempo. Passou pela TV Excelsior, retornando como produtor na TV Record.

Foto: James Akel
Foto: James Akel

Aos 18 anos já era diretor e produtor de peças teatrais começando inclusive no jornalismo, como assessor de imprensa. Interessou-se por hotelaria, foi editor de revista e até o final dos anos 80 trabalhou na área de produção de TV.

Durante quatro anos, de 2004 a 2008 exerceu as múltiplas funções de diretor produtor e apresentador de “Show das Dez”, que era feito ao vivo, todo domingo das 22 às 24hs, na ALLTV.

Este furacão de criatividade atualmente dedica-se a prestar assessoria de comunicação, também escreve um blog sobre Política e TV. (www.jamesakel.blog.uol.com.br). Muitos diretores e donos de emissoras perdem noites de sono com as críticas e previsões feitas por James que, com sua vasta experiência consegue prever audiências, êxitos e fracassos.

O portal Amantes da Vida aconselha seus seguidores a visitar o blog do entrevistado por trazer bastante conhecimento. Apesar desta trajetória arrojada James Akel julga que deveria ter sido ainda mais arrojado em suas realizações. Sua grande força motriz é claro a paixão pelo trabalho.

Sente-se mais retraído com o passar do tempo. Por suas atitudes e disposição, no entanto, não se trata de introspecção, mas sim de sapiência. Como se diz no dito popular: “Macaco velho não mete a mão em cumbuca”!

A Bossa Nova, Jazz e grandes orquestras embalam seus momentos de lazer, onde se vê maestro, se o destino assim tivesse conduzido.

O pendor artístico também se revela inesgotável quando se dispõe a desenhar os móveis de sua casa até mesmo suas próprias roupas, o que transformou em hobby.

Como uma pessoa tão dinâmica e multifacetada escolhe o grafite como cor predileta e prevalente em todos os seus ternos? – Explica-se muito bem. O grafite combina com uma miríade de tons e James deste modo está sempre em consonância com qualquer ambiente em que se encontre!

Cavalos, carros e barcos estão entre suas preferências e também aprecia os prazeres da boa mesa. Intuitivo, ouve a voz de sua alma que o conduz ao sucesso. Quer maior emoção quando ao final de suas peças a plateia o aplaude de pé? Poucos têm o privilégio desta experiência na vida. Acreditem ou não, James deixou passando na tela direto, durante dois meses o filme ‘Casablanca’. Não lhe restou nenhum detalhe deste grande clássico e deve ter-lhe inspirado muitas ideias.

Politicamente, se lhe fosse dada a oportunidade de dirigir o Brasil, afirma que “daria um golpe de estado e resolveria as coisas erradas”. Acredita que, somente um dirigente livre e soberano pode colocar no rumo certo uma nação, sem vínculos escravizantes partidários…

Perguntado sobre qual seria o conselho a passar para as gerações seguintes. Foi categórico: Não façam planos! Não fosse ele genial na arte da comunicação…

 

 

Emma Bianchini

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

 

Vendo fotos postadas por um amigo, na internet, chamaram-me a atenção a vida e o colorido de alguns quadros que ele clicara.  Diante de tanta expressividade, fiquei curiosa em conhecer a dona das mãos que manejavam de forma vibrante os pincéis.

Foi assim que tive o privilégio de entrar em contato com Emma Bianchini, nossa entrevistada.

Emma, nome curioso e singular. Este prenome surgiu como um apelido, de origem germânica e significa “o todo”, “o universal”. Nenhum outro nome próprio seria mais preciso, para a autora das telas naïves  que enfeitam este texto. Cada traço não é nada, se  considerado individualmente mas o conjunto prima pela leveza e precisão na escolha dos tons. É o universo que prevalece!

Emma nasceu em São Paulo, no dia 12 de maio de 1950, a quarta dentre dois homens e mais uma moça. Apesar da distância geográfica, levando-se em conta que a família mora no interior,  mantém-se unidos pelos laços de sangue e carinho recíprocos.

Igualmente harmônica é a relação de Emma com o casal de filhos: a moça é advogada e mãe de uma menina hoje, com sete anos e o homem, diretor de artes numa revista, é pai de duas filhas. Três netas que por certo herdaram a criatividade e paixão pela vida da avó dinâmica que soube equilibrar as atividades profissionais com a responsabilidade familiar.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Taurina, determinada, senso estético aguçado, próprio do signo, Emma logo cedo começou a desenhar modelos de vestidos, que costurava para si e para a família.  Chegou a tentar a carreira de secretaria, numa instituição bancaria mas não conseguiu represar por muito tempo sua criatividade que obrigou-a a assumir-se como pintora.

Depois de telas clássicas, naturezas mortas formais e paisagens, passando pelo abstracionismo, abraçou o estilo Naïf onde encontrou sua verdadeira vocação. Soltou-se neste estilo, permitindo que a alegria tomasse conta das telas, o que faz com que a cada dia ame mais a pintura, as cores e o primitivismo.

Questionada se era uma pessoa religiosa, respondeu que sim. Em suas palavras:

”Creio que Deus é a natureza e a inteligência que temos. Acredito nas coisas boas, nos bons sentimentos, no amor. Sinto que não preciso me ligar a uma religião específica, sempre prestei muita atenção nas várias religiões. Acho que cada uma delas tem um lado bom que procuro incorporar na minha vida sem me ligar a uma só, na verdade acredito na fé e na força do amor. Posso concluir que minha relação com Deus é está nas forças da natureza.”

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Os quadros de Emma são intuitivos, retratam momentos de vida, pensamentos alegres que não raro remontam à infância da autora. Imagens de plantações no interior, folguedos de criança, festas de folclore onde anjos, flores e nuvens coloridas se mesclam com harmonia. Santos da devoção da artista também são representados com carinho: São Jorge, Nossa Senhora de Aparecida, Iemanjá, São Francisco mostrando bem o sincretismo religioso que permite que o bem prevaleça aos credos herméticos.

Nota-se de imediato, ao observar os quadros, a predileção de Emma pelo azul, em todas as suas nuances, sem que peque pelo monocromismo.

Apaixonada pela vida, além da pintura que adora e considera além de trabalho, um hobby, gosta de música de todo gênero: samba, jazz, blues, rock e aí por diante.

O mar ocupa um lugar especial no coração da pintora: quando tem oportunidade, procura velejar. Tem inclusive o sonho de morar em Búzios, montando por lá um ateliê.

Cuida da saúde do corpo, como boa taurina, com malhação na academia. “A idade física e mental são consequências de atos na vida”. Emma afirma ter muito cuidado em afastar pensamentos pessimistas. “Estou sempre aprendendo, aceitando, vivendo”, complementa.

Apaixonada pela vida e pela pintura, ao olhar para trás, lastima não ter lutado mais contra a timidez e ter dito tantas vezes “sim”quando deveria ter dito “não”. Expor-se mais teria sido lutar contra a própria natureza taurina.

Qual o conselho que daria aos leitores do Portal Amantes da Vida?

“Viva bem, um dia de cada vez”.

Esta mulher, cuja força motriz é a alegria de viver, apaixonada pela cor e pela pintura como meio de expressar-se, não poderia ter finalizado de forma melhor a entrevista pela qual agradecemos, de todo o coração.

Foto: Divulgação
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Fernanda Freire Cancegliero Treves

 

Ao começar a ler a entrevista de Fernanda Freire Cancegliero Treves, dei-me logo conta do quão importante é a educação pelo exemplo. Pai e mãe trabalhavam fora, tempo integral, as duas filhas estudavam o dia todo. O ponto de reunião era em torno da mesa, quando a família conversava, punha as novidades em dia. As refeições, principalmente aos domingos, enquanto eram preparadas pela mãe, na cozinha, “ajudada”pelas filhas, eram a pausa das correrias do dia a dia da semana. Dessa tradição germinou dentro do coração de uma das meninas, a semente de uma grande cozinheira. Fernanda formou-se advogada, especializou-se em direito tributário e atuou na área por doze anos.

Sempre muito alegre e sociável, sabia receber muito bem. Tinha um dom inato: criava arranjos de flores  que pareciam feitos por profissional do ramo. Quando vieram os filhos, começou a preparar com grande capricho a decoração e tudo o que era servido aos convidados nas festinhas. Ajudava nas comemorações promovidas pelas amigas até que, o que era um hobby passou a ocupar o plano principal.

Certa feita, o enteado de uma amiga planejava a comemoração dos  seus quarenta anos e Fernanda dispôs-se a ajudá-lo, na organização completo do evento. Na hora da escolha do Buffet, solicitou diversos orçamentos e incluiu também o preço daquele pelo qual ela própria poderia fazer o menu. O resultado é que o escolhido foi o dela e a festa foi um sucesso, ultra elogiada.

O início nunca é um mar de rosas principalmente quando o desafio é logo uma festa para duzentos convidados! Fernanda virou-se pelo avesso mas dali para a frente decidiu que era exatamente aquele o caminho que gostaria de trilhar. Ã época, estavam com ela duas outras amigas que, ao contrario, constataram que não pretendiam seguir no ramo – cada qual seguiu  seu destino.

Fernanda profissionalizou-se, cursando no SENAC o curso CCI (Cozinheiro Chefe Internacional), durante o qual fez estágio no respeitadíssimo Buffet de Viko Tangoda, uma experiência única em termos de crescimento e aprendizado.

Findo o curso, foi convidada pelo professor de culinária francesa Alain Ulzan para trabalhar no restaurante AVEK (R. Joaquim Antunes), onde era chef, sendo o sous-chef Cícero Freire.

Durante todo o período em que estudou no SENAC e trabalhou no restaurante, Fernanda continuou a fazer eventos, com garra e determinação. Indo além, jamais descuidou-se das obrigações de família, como mãe e esposa.

Hoje, essa guerreira tem duas empresas, a Physalis Eventos que, além de realizar eventos levando até o cliente todos os profissionais e a estrutura necessária, oferece opções para uma alimentação saudável e com tempero caseiro, com a Physalis da Conceição.

Os alimentos após seu preparo são rapidamente resfriados e embalados a vácuo, para após serem submetidos ao processo de congelamento, sem qualquer utilização de conservantes.

Além do cardápio para o dia a dia, com opções diferenciadas para os adultos e  crianças, a Physalis oferece ainda refeições para pessoas que estão em dieta, seja na linha low carb, sem glúten ou na opção de sopas detox.

Fernanda esclareceu aos leitores do portal Amante da Vida sobre o que vem a ser “Gastronomia Funcional”, como segue:

“A Gastronomia Funcional é a junção da nutrição funcional com a gastronomia. É a utilização dos alimentos funcionais (aqueles que fazem bem à saúde) não esquecendo do sabor ao prepará-los, sempre com foco na melhoria da qualidade de vida e longevidade.

O Chef da gastronomia funcional busca antes de tudo que a sua criação seja saudável, nutritiva e funcional e também que esta tenha sabor, textura e aromas maravilhosos. O foco está no bem-estar e saúde da pessoa e não na criação em si.”

Explicou também algumas diferenças entre alimentos orgânicos e aqueles oriundos de culturas convencionais:

As plantações de alimentos orgânicos contam com os recursos da própria natureza. Os alimentos orgânicos são plantados em solos férteis, onde não haja resíduo de agrotóxicos, fertilizantes químicos e respeita as diferentes épocas de safras e ciclos de cultivo.

Por sua vez, os alimentos convencionais (não orgânicos) não tem essa preocupação com o meio ambiente e na sua plantação são utilizados fitossanitários.

Fernanda adota estratégias para reduzir o teor de agrotóxicos nos alimentos dá sugestões aos nossos leitores, como profissional da área: Procurem sempre verificar a origem dos alimentos. Em relação às carnes, façam questão que sejam provenientes da criação de gado a pasto, suínos orgânicos e frangos sem hormônios.A forma mais eficaz para a compra de produtos orgânicos é procurar  pelo selo de certificação. No Brasil os principais órgãos certificadores são:

 

AAO – Associação dos Agricultores Orgânicos;

ABIO – Associação dos Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro;

ANC – Associação de Agricultura Natural de Campinas e Região;

Coolmeia – Cooperativa Ecológica;

IBD – Instituto Biodinâmico;

MOA – Fundação Mokiti Okada.

 

Fernanda finaliza dando dicas de  normas básicas de higiene na manipulação e conservação de alimentos:

 

Sempre lavar as mãos antes de começar a mexer nos alimentos. Evitar a contaminação cruzada no manuseio dos alimentos. Lavar sempre as hortaliças antes de sua utilização, entre outras. Entendo que sempre é muito bem vindo a leitura fácil e explicativa da seguinte cartilha: http://www.anvisa.gov.br/divulga/public/alimentos/cartilha_gicra_final.pdf

 

 

O portal agradece o privilégio da entrevista e parabeniza Fernanda por seu empreendedorismo e coragem!

 

www.physaliseventos.com.br

www.physalisdaconceicao.com.br

 

 

Nilton Travesso

 

A garotada que hoje vivencia com maestria a nova era da informática, com certeza desconhece que seus avós viram nascer a televisão no Brasil. Hoje, o Portal Amantes da Vida reaviva lembranças, na certeza de que não existe futuro sem passado. 

Nilton Travesso num gostoso e informal encontro nos deu umas pinceladas, para contar como foi o seu ingresso no mundo mágico da televisão.

A TV engatinhava, quando se inscreveu em um concurso aberto por Paulo Machado de Carvalho que estava selecionando pessoas para a emissora que estava fundando. Mesmo sendo muito jovem, já se sentia fascinado pelo então espaço informal do aprendizado. Estudara canto e chegou a ser comparsa do Teatro Municipal. Fazia um curso de cinema no Museu de Arte Moderna de São Paulo, à Rua Sete de Abril…

Algo o distanciava do convencional e apontava para um mundo mágico que estava nascendo e que viria para se instalar definitivamente. 

Foto: Divulgação

Aprovado, durante seis meses se dedicou com afinco ao estudo de todas as técnicas do universo da televisão – sonoplastia, luz, câmera etc. E, como camera man entrou para a recém-criada TV Record, isso em 1953. Sobre as dificuldades técnicas na época, Travesso nos divertiu com suas histórias.

Segundo ele, no início, o improviso e a criatividade dominava na TV. Ainda que sentisse que seu futuro estaria atrás das câmeras, fazia das tripas coração para que tudo caminhasse dentro dos conformes. Iriam filmar um jantar elegante? Lá vinha ele trazendo de casa os copos, talheres, pratos. Até ator acabou sendo, quando precisaram inventar um irmão para o John Herbert. 

Fez então sua estreia, atuando ainda mais algumas vezes, mas não era esta a sua paixão. No início a ausência do “vídeo tape” fazia parte e os programas eram todos ao vivo. Indagado se os “cacos” ou acidentes no percurso incomodavam o serio diretor, Nilton nos encantou, afirmando que a edição dos programas desacelerou o comando interior da naturalidade: “No começo da TV, trabalhava-se com alma e espontaneidade, passando emoção”.

Ao ser indagado sobre a inexistência de atores televisivos, nos trouxe informações perdidas no tempo. Talentos trazidos do teatro, como Sérgio Cardoso, Cacilda Becker, Cleide Yaconis, Ziembinski, abriam um novo espaço na teledramaturgia da TV Record. 

Foto: Divulgação

Sua naturalidade, seu caráter, seu desprendimento de vaidade vieram à tona quando indagado sobre os incríveis shows internacionais que dirigiu. E foram muitos: Sammy DavisJr, Nat King Cole, Maurice Chevalier Charles Azsnavour, Ballet Béjard, Marlene Dietrich. 

Elogiou a seriedade profissional de Marlene Dietrich, contando que, aos 60 anos, ela ensaiou, antes da estreia, até alta madrugada ao som do seu pianista Burt Bacharat, e guardou na lembrança, com emoção, um singelo fato – os cuidados que ela teve com ele quando um músico sem querer, fechou a porta na sua mão; carinhosamente, ela o levou para seu camarim para lhe colocar gelo. Muitos que aplaudem com entusiasmo Caetano Veloso, desconhecem ter sido o Nilton Travesso quem provocou o despertar do tímido garoto que ficava na coxia do Teatro Record ouvindo Roberto Carlos. 

“O que você está escondendo? Perguntou Nilton a ele. Por que não joga pra fora o seu talento”? De um encontro na Pizzaria Esperanza, saiu não só a pergunta, como a inclusão do franzino baiano no programa “Uma noite se improvisa” onde Caetano não só ganhou o prêmio do programa (um Dauphine zero km) como toda uma vida de talento reconhecido. 

Palavras textuais de Travesso: – “Tenho o maior prazer em conviver com o ser humano e extrair dele o que tiver de melhor”.  Mas, reconhece a dificuldade em ter atravessado sua carreira de diretor, lidando com o ego dos atores. Está aí o grande desafio que o move – saber administrar a turbulência do dia a dia. “Ser tolerante é saber ser útil”, diz Travesso, e essa é a lição que nos passa. 

Sua sensibilidade aos movimentos atemporais o levou a sempre assumir a direção de programas up to date. 

Dos Festivais de MPB, Fino da Bossa, Grandes Concertos, até ao TV Mulher, primeiro programa no mundo dirigido à mulher que começava a emancipar-se. Graças a ele, Nilton foi contemplado com uma premiação na França e saiu na primeira página do New York Times. 

Para a mulher que estava em casa, assuntos de interesse eram apresentados de forma a não atrapalhar os serviços domésticos. 

Foto: Divulgação

Temas tabus, como sexualidade, começaram a ser ventilados por vozes escolhidas a dedo por ele. Abriu com competência o leque de pessoas que ajudariam a compor o perfil da nova mulher que despontava. 

Nestes quase 60 anos de dedicação à TV não temos como não associar diretamente o nosso “Amante da Vida” Nilton Travesso com a televisão no Brasil. Aliás, como bom representante da nova geração – a dos “evelhescentes”, ele afirma, categoricamente, que depois dos 60 anos começou a viver melhor. 

Nesta idade, segundo ele, você domina melhor as situações interpessoais, passa a ter controle maior sobre a ciranda da vida, faz com que a paixão se libere. “Enquanto jovem, existe a competição, e esta é cruel. O jovem não tem o mais importante que é poder saborear o dia a dia. Com a idade, esta é a nossa conquista maior”. 

Nilton Travesso distribui sua paixão com garra e entusiasmo em todas as suas atuações. O excelente programa “Saia Justa”, onde, aliás, a atriz Maria Fernanda Cândido será a próxima a participar é a sua atual principal preocupação atualmente. 

Há 12 anos, Nilton criou a Oficina de Atores Nilton Travesso, escola de formação de atores para Teatro e TV, de onde saíram alguns nomes conhecidos do grande público, como Ana Paula Arósio. 

Desse modo, uma vez mais, Nilton Travesso contribui ativamente para o engrandecimento da arte cênica no Brasil. 

Seu grande desafio seria levar ao cinema a novela Éramos Seis, dirigida por ele e ganhadora do Troféu Imprensa 1995. Mas sua modéstia o impede de vibrar com o filme biográfico que pretendem fazer sobre ele. Assim é Nilton Travesso.

Ao seu lado, a querida Marilu, sua esposa e companheira de tantos anos, encontra a tranquilidade para dedicar-se ao seu novo livro “Caminhos da Fé II”, e dos seus quatro netos queridos.  Lucas, de 14 anos, já o desafia em partidas de tênis, outra grande paixão.

Foto: Divulgação

E Nilton termina: “Não sei por conta de que mistério genético, uma boa dose de minha paixão pela TV foi transmitida ao meu filho Marcelo. E aí está mais um Travesso, colecionando experiências, vivendo emoções, guardando histórias, para contá-las, sabe Deus quando. É o ciclo da vida”.

A nós, meros tele espectadores, não nos cabe adivinhar os próximos passos da televisão brasileira. Mas Nilton Travesso, com certeza, já tem nas mangas do colete, resultados para os desafios que poderá continuar a enfrentar.

 

 

Jayme Vita Roso

 

Na história da humanidade, no mês de outubro, ocorreram inventos tecnológicos que mudariam a história da humanidade, como a inauguração da primeira linha telefônica, a criação da lâmpada elétrica e a utilização do éter como anestésico na primeira cirurgia  abrindo uma nova era na medicina.

Jaime Vita Roso
Jaime Vita Roso

Luminares como Gandhi, John Lennon, Oscar Wilde, Nietzsche também foram concebidos neste período do ano. Neste mesmo mês, em São Paulo, nasceu Jayme Vita Roso que se tornaria ilustre, no cenário jurídico nacional, sob o signo da Balança, no dia 16 de outubro do ano hebreu de 5693! Surpresos? Bem, no nosso calendário, em 1933.

Dois dias antes, a Alemanha nazista anunciara sua retirada da Liga das Nações (antecessora das Nações Unidas) e das negociações sobre desarmamento em Genebra, destruindo a política de reaproximação com os países vizinhos.

Sob o olhar do Zodíaco, acredite-se ou não, tinha início à vida de uma pessoa idealista por natureza, com sentido de justiça e bom senso apurados, com a sensibilidade necessária para atender às carências até mesmo da própria natureza.

Os pais, originários do sul da Itália, acostumados a condições de vida difíceis, transmitiram-lhe a determinação e garra para o trabalho bem como a facilidade da fluência em vários idiomas. Das duas irmãs, uma é-lhe mais próxima e querida, Maria Teresa.

Foto: Jaime Vita Roso
Foto: Jaime Vita Roso

Numa época de seca histórica vivenciada em todo o planeta, chamou a atenção de nossa revista eletrônica, www.amantesdavida.com.br, um indivíduo que, sozinho, arquitetou uma área de preservação e fez de seu sonho uma realidade, sem qualquer ajuda de dinheiro público.

Com o objetivo inicial de dividir e lotear, Jayme comprou em 1963, uma área de 86 hectares entre o bairro de Parelheiros e o município de São Bernardo do Campo, a 20 quilômetros de Santos. Seria uma aplicação de capital, considerada “segura”, diante das incertezas do governo do então presidente, João Goulart.

Tendo se tornado especialista em direito econômico, com mestrado completo na USP quando conseguiu créditos para o doutorado, partiu para a Itália a trabalho e de lá foi para a África. Nos cinco anos passados no país africano, Jayme pode aquilatar a extensão dos males que a devastação ambiental pode provocar no planeta. Ao voltar ao Brasil, em 1978, o sítio em Parelheiros já tinha destinação diversa:

“Depois de ver toda aquela desolação na África, comecei a pensar sobre o que fazer com a minha área, conta. Meus antepassados emigraram do sul da Itália para o Brasil no século 19 por causa de problemas ambientais, afirma. Nos séculos 16 e 17, os árabes e espanhóis invadiram aquela região e destruíram a cobertura vegetal para fazer construções e barcos. No século 19, essa devastação ambiental facilitou o surgimento de diversas moléstias endêmicas, como a malária”.

Sem qualquer estímulo, alvo de zombarias, ainda hoje, plantou milhares de árvores, quase um milhão de pés! A mata começou de forma aleatória: cada plantinha sendo colocada no solo pelas próprias mãos do advogado e seus auxiliares. Alvo da crítica e ridicularizarão de conhecidos e estranhos, que não viam sentido no projeto, foi ajudado pela esposa, Nancy Maria, com quem foi casado durante 56 anos, e pelas três filhas.

Nesta saga, recuperou cinco lagos e fez renascer quatro nascentes, preservando a flora e a fauna locais, inclusive a coruja, Curucutu (nome em tupi-guarani que se reporta ao pio desta espécie) que “batizou” o empreendimento. Árvores como a bracatinga, angico, pau-brasil, jacarandá, cedro, peroba e araucárias abrigam as aves e insetos, dando sombra e alimento a uma imensidão de animais.

Foto: Jaime Vita Roso
Foto: Jaime Vita Roso

Vita Roso gosta de tudo em ordem e seu “sítio” é um modelo de eficiência. A administração conta com sete casas – a sede, com 400 metros quadrados, e seis menores. Um viveiro produz mudas para o reflorestamento, já de acordo com os preceitos modernos de preservação ambiental. Toda a área é cortada por estradas impecavelmente conservadas e sinalizadas e, repita-se, tudo isto saído do próprio bolso do proprietário. Acho que se fosse de outro modo, não estaria desta forma… Bem, deixemos o assunto de lado.

Católico praticante mostrou a força de sua fé não só em Deus, mas também em Suas obras, preservando-as.  Pela garra com que levou à frente este sonho, pode-se acreditar em suas palavras quando afirma ser uma pessoa que crê em paixões e que costuma seguir suas intuições, não titubeando até mesmo em fazer renuncias materiais, em prol de um ideal.

Foto:
Foto: Jaime Vita Roso

Jayme aceita as limitações que a idade impõe, mas sem se render a elas: a música, a leitura, os passeios ocupam sua vida, sem contar as atividades literárias. É autor de mais de dezoito livros, tendo sido o último lançado em 2014, intitulado  “Da Arqueologia da Dúvida à Aurora da Verdade Ensaios Convergentes” que reúne artigos escritos pelo entrevistado e é ilustrado com fotos das obras de Dan Fialdini, escultor nascido em Minas Gerais e ,como Jayme, filho de italianos.

Interessante observar que apesar de dizer-se amante do azul em todos os seus matizes, o livro citado privilegia o marrom e sépia, com grande esmero gráfico e estético.

Perguntado sobre qual esporte praticaria, não fossem os riscos, elencou a canoagem – talvez ainda venha a fazê-la, quem sabe, dependendo dos rios que escolha. Apesar de ser considerada uma atividade radical, pode ser segura, se tomadas às devidas precauções. O destino sempre prega peças então… Ficam confirmadas as características de seu signo: Jayme mostra-se adepto da paz, quando elenca o boxe , luta livre e similar como aqueles pelos quais não nutre simpatia.

Olhando para os tempos idos, lastima o eventual mal que possa ter feito a terceiros e que sempre tentou corrigir, na medida do possível.

Não dá conselhos de vida – melhor que isso, deixa um belo exemplo, muito melhor que eventuais prédicas.

O entrevistado, no livro de sua autoria publicado em italiano, sobre Terranova da Sibari – I proverbi, pillolle di sagezza inicia, escrevendo entre aspas: “La felicità consiste nello scoprire qual é l’única cosa necessária nella mia esistenza e a rinunciare con gioia al resto” – Thomas Merton – sábia ótica de vida, a qualquer tempo e idade.

O mundo agradece o percentual de oxigênio que ajudou a preservar, ao menos pelos 0,5% do oxigênio consumido em São Paulo e nosso portal o privilégio de tê-lo tido como entrevistado.

 

Patrícia Centurion

 

Recentemente, fui convidada por uma grande amiga, Maria Emilia Cunali, para um evento num atelier de joias na Alameda Lorena onde vários joalheiros estariam expondo suas criações. Fiquei fascinada com o espaço e com a energia que emanava do local, ultra moderno e clean. Quis então conhecer melhor a anfitriã da exposição, trazendo para os leitores do Portal Amantes da Vida um pouco da história desta artesã incomum que recebe colegas da área não como concorrentes mas como amigos que partilham interesses comuns, cada qual expressando a arte da ourivesaria segundo ótica própria. A mostra estava linda e harmônica.

Patrícia Centurion  nasceu em São Paulo, sob o signo de Áries e efetivamente externa toda a vibração do elemento fogo que carrega dentro de si. O Atelier Galeria que idealizou e onde impera, reflete seu imenso poder criativo já que foge do rotineiro conceito de loja para tornar-se um espaço onde “o próprio cliente se serve das joias que mais gostar, tornando sua experiência de compra muito mais envolvente e agradável”, nas próprias palavras de Patrícia.

Foto: Divulgação

Graduada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, em ourivesaria, desenho, gemologia e história da joalheria pela escola italiana Le Arte Orafe, de Florença, complementou sua formação no Instituto per L’Arte il Restauro Palazzo Spinelli, no Fuji Studio e na Or Virtual.

Na trilogia do fogo, Áries representa a faísca e é dela que Patrícia sabe tão bem fazer uso em sua profissão, forjando a armadura com que enfrenta o mundo e vence seus desafios. Em seus sonhos infantis, não se via como a “Bela Adormecida”, repousando em sono plácido mas como a detetive Kelly do seriado “As Panteras”, com a impaciência que não suporta limites e a cabeça cheia de ideias de transformar o mundo.

Nada de vida comum e rotineira! Patrícia advoga que, em termos de relacionamentos humanos, os opostos se atraem e tendem a dar certo, apesar dos questionamentos mútuos. Áries precisa de um ideal pelo qual lutar, ainda que no campo afetivo. Casada há dezessete anos, tem dois filhos, cujos nascimentos propiciaram à Patrícia a mais plena expressão da felicidade. A menina minha xará, ao sermos apresentadas durante o coquetel no atelier, afirmou, em tom decidido, que adorava o próprio nome o que eu, claro, concordei!

Lealdade e humor são qualidades que preza. Realmente, a vida tem que ser levada com leveza pois momentos há em que as batalhas são muitas. Patrícia pensa muito antes de agir e com isto evita arrepender-se do que faz. Curiosa e aventureira (ah, esses arianos…), gostaria de conhecer o mundo, já que diferentes culturas lhe servem como inspiração no trabalho. Eclética em termos de experiências gastronômicas, vai das massas às comidas indiana e japonesa, privilegiando verduras grelhadas. Frutas? A manga, que “coincidentemente” é cor de fogo…

A praia e receber bem fazem parte de seu lazer, reunindo amigos em casa, onde todos os cantos lhe são preciosos. Este espírito maternal do aconchego  evidencia-se quando afirma que “o melhor momento do dia é quando dou boa noite para as crianças e elas me amassam!”

Hoje em dia,em sua loja, esclarece que dentre todas as peças, os brincos são os mais comprados e que a maioria dos clientes está na faixa entre os trinta e sessenta anos. A gema mais popular, talvez por ser a mais conhecida, é o diamante e, na opinião da entrevistada, “todas as mulheres deveriam ter pelo menos um”. É bom que nossos leitores masculinos prestem especial atenção nesta assertiva…Palavras de expert no assunto!

Foto: Divulgação

Desde que Patrícia voltou da Itália, em 1992, constatou que o brasileiro passou a valorizar mais as pedras brasileiras, o que considera excelente pois com elas pode dar asas à sua criatividade. Por falar em voos, não fossem os riscos, Patrícia escolheu o paraquedismo como esporte radical que eventualmente praticaria…

Não suporta a dor alheia, principalmente dos que lhe são próximos, bem como a deslealdade. Expõe bondade de coração quando divaga que jamais trabalharia num abatedouro de qualquer espécie.  Por sua postura, quase nunca guarda rancor mas não abandona uma batalha e impossibilidade é uma palavra que não consta em seu dicionário.

Perdoar ou pedir perdão? Qual o mais difícil, lhe foi perguntado? “Nenhum nem outro”– tudo na verdade é circunstancial.

Livro marcante: Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva, lido nos anos 80, do qual lembra com carinho mas há muitos outros que ajudaram a formar esta Patrícia criativa, objetiva, determinada e que sabe levar a vida com bom humor.

É um privilégio trazer para o nosso Portal uma personalidade tão generosa em nos conceder essa entrevista.

 

Vera Lucas

 

AV – Com seu livro “Toda Mulher tem 7 Homens”, você vem bombando e muitas mulheres comentam que alguém está com 14 homens… Assim, de onde surgiu a ideia de que, na verdade, existe  esta fartura de homens?    

VL – Dos meus amigos homens. Eles reclamam que “as mulheres não querem nada sério”. Por isso, ou estão sozinhos ou cada dia ficam com uma. Então eu acho que o problema não é a falta de homens. A dificuldade está em encontrar e prestar atenção na pessoa certa. Às vezes ela está ao nosso lado e não percebemos. Como aquele homem no metrô, usando um tablet.

AV – Você poderia falar um pouco sobre o seu livro?

VL – É um romance engraçado, com pitadas de ironia, leve. De tristes já bastam as notícias que nós, jornalistas, temos que dar. Ninguém deve esperar também grandes teorias ou filosofias – acho isso muito chato. A minha protagonista, Patrícia, é uma mulher moderna, tem personalidade forte, é desastrada, impulsiva, não tolera machistas, atrapalhada amorosamente, acredita nos homens e acha ser capaz de mudá-los, (a história de beijar um sapo e ele virar príncipe). Sem namorado, enfrentando problemas profissionais e uma crise existencial, ela crê que um homem seria a solução. Assim, como num passe de mágica mesmo… Lembrando de um conselho da avó, Patrícia resolve conferir se ela estava certa: “Querida, os homens do nosso passado podem ser admiráveis no presente e magníficos no futuro”, Patrícia decide ir atrás dos homens que considera terem sido os mais importantes em sua vida. Faz uma listinha e constata que somam sete, número que ela acredita ser cabalístico. A partir daí, Patrícia “caça” um por um, se envolvendo em situações caóticas, hilárias, constrangedoras e até armando alguns barracos.

AV – Como está sendo a aceitação do seu divertido livro no universo feminino?

VL – Ótima. As leitoras me mandam recados, opiniões e até pedem conselhos através do meu blog – como se, no meu caos interior, eu tivesse capacidade para palpitar certo na vida de alguém… Se isso fosse possível, eu estaria rica. Bem, todas, em algum momento, se identificaram com a Patrícia. A coisa é tão forte que, dando uma entrevista ao vivo para uma rádio, o apresentador me chamou de Patrícia.

AV – Quanto aos homens, você já tem alguma avaliação sobre o impacto que o livro provoca neles?

VL – Já, no início foi catastrófico. Por causa do título, eles não compram o livro. Passei uma tarde em uma livraria, sem me identificar, tentando convencer a classe masculina a levar “Toda Mulher tem 7 Homens”. Recebi sempre duas justificativas para o NÃO categórico. A primeira, inevitavelmente,  era “Isso não é coisa de macho”. Quando eu sugeria que comprasse para a namorada, a irmã, a resposta era “Não, vai que esse livro coloca minhocas na cabeça dela”. Uma piada, né? Mas as mulheres compram e acabam emprestando para os amigos, irmãos, namorados “só para eles darem uma olhadinha”. Assim, aos poucos, eles estão vendo que o livro é uma ótima forma de se conhecer um pouco da alma feminina. Na última palestra que dei, quatro homens estavam na platéia. Parece pouco, mas para mim foi um recorde de audiência.

AV – Como no “Complexo de Cinderela”, você tenta demonstrar que a maioria das mulheres espera conhecer o príncipe encantado, casar e ser feliz para sempre. Só que você usa outro conto de fadas, colocando à disposição da leitora a personalidade de cada um dos sete anões da Branca de Neve. Por quê?

VL – Se você analisar com cuidado vai concluir que os sete anões englobam as principais características dos homens. Experimenta, cada anão lembra alguém que você conhece na vida real. Walt Disney não os criou por acaso, ele era muito inteligente e, na sua época, já passava conceitos importantes nas entrelinhas. Não considero “Branca de Neve e os Sete Anões” uma história infantil. As crianças é que ainda não entendem as mensagens subliminares. Eu não acredito que a Branca de Neve teve casa e comida de graça (rs). Espero que a família dela não me processe por causa disso.

AV – Mas os anões eram feios…

VL – Bem, Walt Disney também foi uma criança feia. Acho que ele quis mostrar o tradicional ditado popular: “A aparência não importa e sim o interior da pessoa”. Lembrei da piada de que quem gosta de beleza interior é o decorador… Voltando ao tema, os homens da Patrícia não são necessariamente feios ou bonitos, nem pensei nisso. A personalidade de cada um é que é idêntica a de cada anão.

AV – Outros símbolos da famosa história da Branca de Neve têm algum significado no seu livro?

VL – Tem, mas eu não posso contar para não estragar a surpresa. E para o meu editor não cancelar o meu contrato.

AV – Em sua opinião, o seu livro limita-se às mulheres jovens ou aplica-se também às mulheres mais maduras?

VL – As adolescentes, por terem pouca experiência de vida, acham o livro engraçado, mas não entendem as nuances, não se identificam com a Patrícia. Percebo que o livro começa a conquistar as leitoras com mais de 20 anos. A partir daí, acho que quanto mais madura for a mulher, mais ela vai gostar da história. Vou contar uma coisa. Eu brinco muito e faço perguntas durante as minhas palestras. No final de uma delas, uma senhora com cerca de 80 anos me chamou particularmente. Rindo, ela falou: “Fiquei com vergonha de me expor, mas, sabe, quando me apaixonei pelo meu marido, nenhuma mãe sonhava com ele para genro”. Tem coisa mais linda? E para matar a sua curiosidade, sim, ela é muito feliz até hoje com o seu companheiro.

AV – Seu livro “Toda Mulher tem 7 Homens”, narrado na primeira pessoa, reflete experiências pessoais suas Vera?

VL – Sim, tem um pouquinho de mim, dos meus amigos, de pedaços de  histórias que escuto… Sou jornalista e os meus ouvidos são apurados. Posso estar na praia, no ônibus, em qualquer lugar. Se duas pessoas começarem a contar algo interessante, vou prestar atenção na conversa. Eu sei que é falta de educação, mas é onde colho material para o que escrevo. Lembrei de outra coisa engraçada agora. Quando o meu ex-marido soube pela imprensa que eu ia lançar esse livro, me telefonou preocupado: “Você não contou nada  sobre mim, né?”. E ele não foi o único… Acho que pensaram que eu estava lançando algo como “Vera Lucas, a vingança”. (rs) Nada a ver. Eu tenho uma imaginação muito fértil.

AV – Quando você percebeu que tinha talento para escrever?

VL – No exato momento em que descobri que tinha horror a decorar regras gramaticais, lá pelo final do antigo curso primário (rs). Eu não entendia nada daquelas histórias de oração coordenada assindética, sujeito oculto por elipse, verbo transitivo circunstancial… Aliás, não entendo até hoje. Mas eu adorava ler, me alfabetizei sozinha (não sei como) lendo revistas em quadrinhos e, por isso, tinha grande facilidade para escrever. Essa passou a ser a minha tábua de salvação nas provas de português. Eu arrebentava nas redações e conseguia uns pontinhos na parte gramatical. Era assim que eu passava de ano. Se algum antigo professor meu estiver lendo isso vai ficar de cabelo em pé. Perdão, mestre.

AV – Esse é o seu quarto livro…

VL – É os outros três foram sobre Jornalismo: “Comunicação Comunitária” (2009), “Técnicas de Redação: Mídia Eletrônica” (2009) e “Introdução ao Jornalismo” (2007). Aí, depois de ter escrito tantas crônicas, tantas matérias, livros acadêmicos, resolvi que queria escrever um romance, com princípio, meio, fim e tudo mais o que tivesse direito.

AV – Como você lidou com seu impagável humor e a responsabilidade de escrever este delicioso romance?

VL – Quando eu era criança e adolescente, fui vítima de bullying. Brincadeirinha… é que eu ficava uma fera quando as pessoas diziam que eu era engraçada. Eu achava que me consideravam uma piada, que não me levavam a sério. Depois entendi que não era nada disso e que eu deveria usar o meu jeito divertido a meu favor. Ótimo também para disfarçar a minha timidez… Assim, nunca pensei em escrever um romance trágico, paranormal, de suspense… Seria engraçado e pronto. Então, virei a maluca do prédio. Só consigo escrever quando estou inspirada e, nessa fase, a minha criatividade adorava aparecer de madrugada. Eu levantava da cama e ia digitar no computador. Imagina a cena. O maior silêncio e o barulho tec-tec-tec-tec saindo do meu apartamento.

AV – Você ficou nervosa conforme o dia do lançamento se aproximava?

VL – Não, fiquei histérica. Infernizei a vida do meu editor, da minha irmã, da minha prima portuguesa que estava hospedada na minha casa, dos meus amigos, nem eu me aguentava mais. Desculpe gente.

AV – E na noite de autógrafos?

VL – Acho que eu não estava lá… Lembro vagamente de ser fotografada, de escrever em alguns livros, de falar umas besteiras… E eu não bebo!

AV – Depois passou, não é?

VL – Não. Aí entrei na neurose da primeira crítica que sairia. Tive medo de ter jogado toda a minha vida profissional no lixo, de ser apedrejada na rua, de passar vergonha. Graças a Deus a crítica foi muito positiva.

AV – Existem outros projetos literários para frente?

VL – Terminei de escrever uma biografia. A família do entrevistado decidiu lançá-la apenas para um grupo fechado de parentes e amigos. E estou na metade de um livro reportagem que não posso ainda contar o tema. Mas já colhi depoimentos de umas duzentas pessoas. Com a autorização delas (rs).

AV – Não parecem livros de humor…

VL – É, esses dois não são. Mas pode ser que hoje de madrugada eu acorde e comece a fazer tec-tec-tec-tec no meu computador e volte a ser a maluca do edifício.

 

 

Ana Foz

 

AV – Quando e como você descobriu seu enorme talento para a arte floral?

Foto: Divulgação

AF – Cresci vendo minha mãe preparando arranjos e isso me encantava. Quando adulta tive a oportunidade de fazer um curso em Londres com a melhor florista da época, desde então comecei a desenvolver a arte floral.

AV – Qual o caminho percorrido até chegar ao seu elegante e charmoso Studio Ana Foz?

AF – O caminho foi longo. Quando gostamos do que fazemos temos que sempre aprimorar. Fiz muitos cursos na Europa e alguns nos Estados Unidos até evoluir e formar a minha própria técnica. 

AV – Como funciona a moda no mundo dos arranjos?

AF – É preciso estar sempre atento às novas tendências através de livros, cursos, desfiles, exposições e revistas. 

AV – Sei que você está em constante busca de novas técnicas. Onde estão as fontes que você mais procura?

AF – Ás vezes as fontes estão mais perto de mim do que imagino. Dom é algo inato e aprimora-se com o tempo. Já me inspirei em arranjos maravilhosos através do colorido de uma escola de samba. Procuro também atualizar-me através de cursos com profissionais no exterior. 

Foto: Divulgação

AV – Os mentores se alternam ou você permanece fiel a algum em especial?

AF – Sou fiel a um florista em especial. Suas técnicas fazem aflorar minha criatividade, porém estou sempre consultando outros floristas e acrescentando à minha bagagem.

AV – Seus queridinhos estão só na Europa ou alguma inspiração vinda dos EUA existe?

AF – Já tive inspirações vindas dos EUA, mas sem dúvidas os Europeus ainda são campeões.

AV – Você chegou a fazer alguma produção no exterior?

AF – Já dei aulas em Londres e também alguns eventos na Europa. Recentemente fiz um bouquet de noiva e uma matéria para uma revista em Lisboa.

AV – A variedade de flores no Brasil causa inveja aos grandes floristas internacionais?

AF Os floristas internacionais se espantam com a variedade e quantidade de flores que temos. Os Holandeses também têm flores maravilhosas. Cada povo com suas flores típicas e todas lindas.

AV – Quais os temas que você mais curte traduzir em arranjos?

AF – Gosto de fazer produções de mesas e adoro arriscar nas cores. Harmonia de cores sempre foi minha especialidade.

AV – Como é a dinâmica da aula no seu Studio?

AF –O Studio oferece cursos voltados a alunas(os) que queiram se profissionalizar na área e também aquelas(es) que desejam aprender por lazer. As oficinas são mensais, intensivas ou workshops. O curso consiste em uma aula por semana com duração de 2 horas. Temos turmas às 4as. e 5as. feiras no período da manhã e tarde. O Studio oferece as flores, os arranjos são confeccionados e ao final a(o) aluna(o) leva o mesmo.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

AV – Para pessoas que moram fora da cidade, existe algum curso intensivo de curta duração?

AF – Sim, temos cursos intensivos. Estes cursos ocorrem as 6as. feiras durante o dia todo. A(o) aluna(o) faz um mês em apenas um dia. Os cursos são temáticos: Festas, Mesa de Doces, Arranjos com Flores e Frutas, Arranjos variados e bouquets. 

AV – Você arranja tempo para produções em eventos?

AF – Sim, sempre estamos produzindo alguns eventos, devido à intensa atividade de aulas no Studio, diminuímos um pouco a assiduidade.

AV – O Studio também aceita encomenda de arranjos para casa ou escritório?

AF – Fazemos manutenção de residências, escritórios e aceitamos encomendas com antecedência.

 

Sissa Putz

 

No dia em que se comemora o nascimento do “Santo da Alegria”, 26 de maio, que deixou como mensagem a renuncia a si mesmo e o enfrentamento das dificuldades de cada dia, nasceu Maria Aparecida – Sissa, para seus inúmeros amigos. Bem a calhar, sua vinda ao mundo nesta data: diz a canção interpretada por Ney Matogrosso “Eu sou Homem com “H” – pois Sissa é uma Mulher com “M” maiúsculo!

Tenho o privilégio de sua amizade há tanto tempo que o momento já se perdeu no passado, mas ainda assim, consegue surpreender-me sempre! É uma guerreira competente e empreendedora, que ataca as dificuldades com a inteligência e rapidez de uma geminiana típica, seu signo de nascimento.

No primeiro matrimônio foi agraciada com um filho, Moritz, lindo por fora e por dentro. (Ah, se eu tivesse menos quarenta anos!). Mãe coruja, com toda razão, Moritz é a prova de que frutos bons caem perto de árvores boas.

Sissa e sua única irmã, Soraya,  mantém uma relação de carinho e cumplicidade – para quem gosta de mitos, repete-se aqui a história de Castor e Pólux, irmãos cuja amizade profunda fez com que Júpiter compartilhasse a imortalidade entre ambos e que graficamente encarnam o símbolo do signo de Gêmeos.

A união das irmãs estende-se ao sobrinho Leon, hoje com dezessete anos, filho de coração. Em 2009, depois de várias e longas temporadas na Europa e na Ásia, encontrou as inspirações que precisava para dar início à empresa Elegant Solutions, uma linha de objetos de decoração e de linha baby. Desse modo expressa sua paixão por diferentes culturas, idiomas, história e arquitetura de diferentes países.

Como profissional, hoje em dia tem como meta ir sempre além, nas pesquisas para novos desenvolvimentos das peças de decoração para a casa e bebê, nas fábricas da Índia, China e Inglaterra, lugares que visita com frequência.

A sugestão e o grande incentivo para essa área de atuação partiu do Moritz que, quando questionado sobre o que fazer “depois dos cinquenta”, respondeu: “Siga Nelson Mandela: Forget all the reasons why it won’t work and believe the one reason it will”… Sissa acreditou e montou seu negócio!

Ninguém pense que foi seu debut na área industrial e comercial: anos atrás teve uma florescente indústria de roupas esportivas, quando esporte não era modismo. Venceu mesmo assim, entregando peças para todas as grandes empresas que as repassavam para o varejo.

Deixou de lado a atividade, pois naquele momento era mais importante dar outro rumo à vida, acreditando que a paixão existe e que está presente em diferentes situações. Seguiu seu coração, mas não se esqueceu de levar o cérebro junto! Foi o braço direito do então marido, incondicionalmente, ajudando-o sem tréguas com seu tino comercial.

É desse período um fato mais que inusitado, que precisa ser contado: a indústria de borracha da família precisava negociar com um grupo de estrangeiros. Pois bem, quando se sentou à mesa de negociação, Sissa dirigiu-se a seus interlocutores na língua natal dos mesmos: em sueco! Isso porque se dedicara de corpo e alma, desde que fora aventada a operação, a entender o que o “outro lado” dizia.

Fluentemente, fala inglês, frances e alemão – que tal? Essa é nossa entrevistada – uma mulher show, cujo mote é “You never know how strong you are, until being strong is your only choice” (Bob Marley).

Concorda que a vida não precisa ser perfeita para ser maravilhosa e que é preciso sabedoria para integrar todos os momentos.

Quando não está perambulando pelo mundo a fora, a trabalho, adora velejar, esquiar, cozinhar e, sobretudo aprofundar-se na história dos povos. Como sempre, esmera-se até em seus hobbies, pois já fui premiada com jantares em sua casa absolutamente inolvidáveis – tanto em termos de comida quanto de decoração, tudo elaborado cuidadosamente pela anfitriã.

No campo musical, Sissa acha que o momento vivenciado influencia o estilo – expressa de maneira única e singular o sentimento.

“Amor, família, trabalho e lazer” essa a ordem a ser seguida, mas não de forma rígida, segundo nossa geminiana.

Na lista de suas preferências, os tons de azul e verde – isso para combinar com seus olhos, ora de uma cor, ora de outra.

O portal Amantes da Vida pediu à Sissa um epitáfio, ao que respondeu, citando Paulo Coelho: “As coisas mais simples da vida são as mais extraordinária e só os sábios conseguem vê-las”. Continuou: “precisamos lembrar que o melhor ainda está por vir”!

 

JUNE LOCKE ARRUDA

 

Sob a égide de Touro, o segundo signo astrológico do zodíaco, no dia 23 de abril nasceu na capital do Estado de São Paulo, no Hospital Samaritano, June Locke. Ela, mulher de Júpiter, rainha dos deuses: assim a menina já veio estigmatizada para brilhar.

Distinguia-se bela beleza e determinação de propósitos, segundo seus contemporâneos, atributos que a acompanham até os dias de hoje.  Findos os estudos básicos no Ginásio Ofélia Fonseca, formou-se em biblioteconomia na Faculdade de Ciências e Letras Sedes Sapientia, estudo complementado anos mais tarde pelo curso completo de História da Arte com D. Gilda Seráfico.

De família ilustre, seu avô paterno Dr. Robert Todd Locke, inglês de origem, foi pioneiro  no interior do Estado de São Paulo, nas áreas de educação, esporte e formação de fazendas. Em 31 de julho de 2001, foi realizada em São Paulo, no Centro Brasileiro Britânico a “Exposição dos Britânicos no Brasil”, que contou inclusive com a presença do então Primeiro Ministro britânico Tony Blair, com o objetivo de mostrar a importância da Colônia Inglesa no Brasil.

Nesta ocasião, a garra e espírito pioneiro dos Locke dentre outros imigrantes, vindos da Europa, foram homenageados, como parte da herança brasileira e símbolo da integração entre os povos.

Centrada na família, geneticamente cheia de energia (como ela mesma ressalta, “por ser a melhor forma de comportamento”), mãe de um casal de filhos, June Locke Arruda, seu nome de casada, recebeu, em 22 de março de 1995, o titulo de Irmã Benfeitora da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Antes disso recebera treinamento para Ação Comunitária e Certificado do Fundo de Assistência Social do Palácio de Governo (FAS). Em dezembro de 2008, foi eleita Membro do conselho de Administração do Museu Brasileiro de Escultura (MUBE).

Continuando sua trajetória, em abril de 2008, foi escolhida como mesária (Conselho administrativo) da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Há dois anos, foi titulada “Mordomo” (Diretora) do Museu da Santa Casa de Misericórdia ocasião em que foi eleito como Vice-Mordomo (Vice-Diretor) o Prof. Dr. Décio Cassiani Altimari.

June compreendeu ser importante a necessidade de uma ação voluntária em prol do interesse comum, em organizações não governamentais, levando sua experiência para a Santa Casa, uma das instituições paulistanas mais antigas e com proeminente papel social, desde sua fundação no século XIX. Como centro de referencia médica, pela Faculdade de Medicina e pelos serviços médicos e assistenciais que presta à população, a Sana Casa necessita do apoio de todos da comunidade para a manutenção e continuidade de seus relevantes serviços.

Tendo interesse especial pela difusão do conhecimento e por atividades culturais abertas ao público, June dedicou-se ao Museu e Capela da Santa Casa, inicialmente como Vice-Mordomo e, a seguir como Mordomo. (Cumpre salientar a peculiaridade da nomenclatura dos cargos da instituição, diversa da que existe em outras instituições, sendo o cargo de Mordomo correspondente à diretoria do Museu e Capela).

As atividades exercidas pela entrevistada, embora de muita responsabilidade e que sempre exigiram dela atenção,  pelo rico patrimônio histórico sob seus cuidados nos dois espaços sob sua égide, sempre foram realizadas de forma harmônica com os papéis de esposa e mãe e com o pleno apoio e incentivo do esposo.

A Capela da Santa Casa é frequentada por força dos ofícios religiosos; a manutenção e preservação do patrimônio deste espaço é a constante preocupação daqueles que por ele zelam. Por outro lado, o Museu é ainda pouco conhecido da população paulistana, embora tenha um acervo muito rico. Necessita de maiores cuidados, catalogação atualizada, guarda, exposição e divulgação do seu conteúdo para que possa ocorrer uma melhor relação com o visitante, especialmente com o público escolar destacando-o entre os museus da cidade – esta a nova meta de June Locke Arruda que com seu determinismo e garra por certo será alcançada.

Neste esforço de divulgar o rico acervo, teve o privilégio de receber a Sra. Barbara Bear “The Lady Mayoress” de Londres, esposa do Prefeito Lord Michael Bear acompanhada pela Sra. Dilza Doddrell, esposa do Cônsul Inglês em São Paulo, que se impressionaram em especial com a “Roda dos Expostos” e a escultura em bronze “Alegoria à Vitoria”, de autoria de Paul-Jean-Baptiste, bem como com a pinacoteca composta por quadros de autoria de grandes pintores brasileiros, retratando personalidades que contribuíram para o progresso de São Paulo e da Santa Casa. Na oportunidade, a Sra. Barbara Bear deixou gravadas suas impressões no livro de visitantes, a exemplo de outras ilustres autoridades que tem  honrado a instituição com suas visitas.

Perguntada quais as alterações que faria se fosse possível mudar sua trajetória de vida, ponderou sabiamente que “sempre fazemos o que nossa capacidade e circunstâncias determinam”.

Não se queixa da idade, e conclui que o tempo trouxe-lhe mais sabedoria. Continua com suas atividades esportivas, viagens, jardinagem, que adora, além de ativa vida social.

Das inúmeras voltas pelo mundo afora, com destaque para países exóticos, recorda-se com emoção do ANGKOR WAT, em Sien Reap, no Camboja no pôr do sol, no final da tarde. Fica a sugestão para os Amantes da Vida. Trata-se do maior monumento religioso do mundo, construído pelo Rei Suryavarman II, no século 12 e que se tornou o símbolo do Camboja e sua mais importante atração turística.

O conselho de vida de June para quem pergunta: “Procure sempre fazer o melhor em qualquer atividade, prefira o que lhe dá prazer, sem esquecer-se de atuar em prol do próximo, da família e da sociedade, para uma vida plena de sentido e, principalmente, não fazer aos outros o que não deseja que lhe façam”.

Foto: Divulgação