Que venha o Outono!


Felizes os novos coroas que sabem gozar na plenitude o outono !!!

A espetacular tela que a Natureza começa a pintar, passa despercebida, dando lugar apenas ao lamento do inverno que se aproxima. No início, as folhas fracas começam a forrar o chão e as mais fortes preparam-se para a magia que a clorofila, a antocianina e a carotenóides vão produzir.

As remanescentes tornam-se ligeiramente amareladas, como que insatisfeitas com a perda do viço. Mas o despontar do tom alaranjado já indica a arte em construção.

Foto: Divulgação

As mais efusivas começam a escolher o vermelho, cor das poderosas para se distinguirem no futuro próximo. Imperceptivelmente, o rubro vai escurecendo, até se tornar marrom, aliás, cor chiquérrima. Claro que no reino vegetal também existem folhas “peruas” assumidas que são contempladas com tons de dourado.

Poucas são as que chegam ao preto total, mas acho eu, ser o sonho de consumo das frescas flores. O outono também se distingue por ser a estação da colheita, diga-se “en passant”.

Sem a menor dúvida, a reflexiva cultura japonesa desde sempre estabeleceu a relação entre a natureza e o homem. Mas também, por lá não surgiu nenhuma lei decretando que aos 60 anos o individuo é… idoso! Aos velhos com jeitão de velho… mesuras e analogias poéticas e dramáticas com a Mãe Natureza.

Foto: Divulgação

Mas com certeza foi um brasileiro “antenado” que ao se deparar com a tela completa do outono, resolveu fazer uma releitura da sabedoria oriental. Passar a existência curtindo as delícias do verão… pode-se até achar ao contrário, mas que vira monotonia vira.

Como ilustram este texto, momentos iguais, mostram colorações diferentes e todas… maravilhosas! Com a irreverência natural do patrício, permitimo-nos compartilhar a hipotética apreciação.

As folhas caídas intempestivamente no chão correspondem às pessoas que já se foram pro outro lado, ou assumiram literalmente a clássica velhice, desistindo de viver.

As amarelecidas tênuamente, seriam aquelas que não se conformam com a inexorável chegada avançada da idade cronológica e ficam super abatidas por estarem perdendo o viço. Agarram-se desesperadamente à juventude e ai de quem ousar chamá-las à realidade, mas não é possível que assim permaneçam, quando começam a ficar alaranjadas. Sucumbem ou se preparam para encarar numa boa a desconhecida, mas nova colorida fase.

Foto: Divulgação

Começam a entender que não adianta insistir no puxa aqui e estica ali, sob pena de se transfigurarem esteticamente.

Os mais condizentes com a nova realidade, onde a expectativa de vida subiu horrores, sentem-se no máximo dos máximos quando se comparam às maravilhosas folhas vermelhas. Trazemos a imagem otimista do controvertido teólogo Leonardo Boff: “Uma das maiores vantagens é não precisar usar mais as máscaras que a vida impõe a cada momento.

A vida é como um teatro, no qual você é chamado para representar diversos papéis. Com a maturidade, alcança-se o privilégio de se livrar de todos eles e finalmente ser você mesmo.

Compromissos zero, tempo mil para ser usado como lhe aprouver, inclusive para curtir o ócio com dignidade. Ao analisarem um poema de autoria de Rivkah, uma escritora brasiliense que dá trato ao outono da vida, fazemos nossa, a interpretação dada pela paulista Marciel Salavrerry.

“Poeticamente a autora dá uma paulada na cabeça daqueles que ficam chorando amores e oportunidades perdidas. O que passou não deve ser lamentado. Se as lembranças foram boas, dá para curtir uma saudade, mas se forem tristes, para que relembrá-las? Esqueçamo-las e vamos tratar de viver o futuro. Ele está aí esperando que sequem as lágrimas dos amores passado, para que se possam viver os que vierem!”

Foto: Divulgação

Outono-tempo da colheita, onde surgem os frutos plantados. Faltou alguma coisa? O novo outono é cumprido e dá tempo para reformulações das sementes.

Mesmo que o tempo comece a flagelar o físico, o que é mais do que natural, estar marrom dignifica a vida. Chegar com altivez na velhice propriamente dita  era para poucos.Agora é normal vermos pessoas ditas marrons,beirando os 90,cem anos que não sucumbem às naturais deficiências físicas.

Espero que quando ficarmos pretas como as folhas, novidades tenham surgido para prolongarem o tempo da ausência das cores. Mas como diria a politicamente incorreta senhora dos absurdos, passou dos cem… “vai faltar comida pros neguinhos”…

Por enquanto, vamos curtir o nosso brilhante vermelho, excluindo inclusive o estereótipo de que a maturidade traz sabedoria. Os rubros de hoje estão aí à busca de novos aprendizados, novas experiências e desceram definitivamente do pódio de donos da verdade.

Fazer do outono A estação é a meta dos Amantes da Vida.

 


Autor: Ana Boucinhas

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2 Comentários

  1. Aninha, com esse texto tão leve mas profundo e verdadeiro sem ser piegas, até dá vontade de passar dos 90, 100 anos.Parabéns e que continue a escrever tão maravilhosamente até os 200. Quero estar sempre perto de vc, pois só assim, tenho certeza, serei amante da vida! Bjo GDE

  2. Aninha como sempre YOU ROCK !!!! Sem palavras , muito feliz por estar curtindo meu laranjinha por sinal maravilhosamente mais gostoso do que o amarelo e na esperanca do vermelho chiquerrimo do qual voce tao deliciosamente com suas sabias palavras nos promete … Parabens pelo sucesso , quero mais !!!! bjao.

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