Silvia Vaz

 

No dia 8 de janeiro de 1955 nascia em Santos eu… Filha brasileira, de uma família brasileira, com mais cinco irmãos brasileiros. Mesmo trazendo no sangue a paixão pelo Brasil isto não impediu e nem impede que experiências além mar sejam abraçadas (já morei no Japão!).

Em busca do novo, a arquitetura não foi propriamente uma escolha. Naquele momento foi o que mais se adequou às minhas tendências e, por ser uma das poucas faculdades que tinha em Santos (meus pais logo notaram que eu estava “doidinha” para sair de casa…). Foi uma grata escolha afinal, pois abriu horizontes, quebrou padrões e me permitiu ousar.

Não tive medo de enveredar para a área de vendas, técnicas de construção civil durante 25 anos e hoje aqui no Arraial d’Ajuda, com moda, a mudança para cá foi o “chamado”. Depois de 30 anos com a “vida louca” que o paulistano leva (aos 20 anos fui morar sozinha em São Paulo, assumindo o ônus da independência. Foi quando conheci o sul da Bahia, um pouquinho hippie…), o apelo tornou-se irremediável.

Minha decisão não causou estranheza (com exceção de meus pais) junto a quem bem me conhecia. Mudanças radicais de vida, feitas com responsabilidade, só engrandecem. Fazer isto aos 50 anos foi um grito por sobrevivência! Hoje freqüento a escola da humildade de alma. “Ter” e “ser” tem um significado muito mais simples e autêntico, onde os problemas são pequenos diante da plenitude que vivo.

Ganho menos, gasto menos, não tenho mais dor nas costas, acordo quando acaba o sono… Parece até bobagem… Até o momento que agente experimenta. Meu filho, único, sempre me apoiou. É a grande saudade que sinto. Se pudesse falar em contras de viver tão longe, seria a saudade, a que mais pesaria: família, amigos… mas não deixo de amá-los, só os vejo pouco.

De natureza independente conduzi minha vida sob esta diretriz: filho criado para o mundo, família, trabalho e diversão coexistindo em equilíbrio (sempre que possível). O dia que o trabalho subjugou o resto, São Paulo tornou-se insuportável.

Com esta mínima pincelada quero dizer que gosto demais de minha vida e história e se pudesse voltar no tempo não mudaria nada, nem as dificuldades, as crises, as inseguranças… Nem mesmo os erros, pois eles são as bases de meus acertos, que não são poucos.

Ter 57 anos não me assusta, nem as rugas, nem os cabelos brancos (fiquei loira!). O que me apavora é perder a alegria de viver. Gosto de sossego: alongar, rezar, cuidar da casa (inclusive serviços de “Pereirão”), do jardim, dos cachorros, ir à praia, ver televisão de “pernas pro ar”, viajar, uma cervejinha com os amigos e, por que não, uma baladinha eletrônica (com direito de subir no “queijo” e tudo) ou dançar rock’roll (que afinal é minha geração). A cultura? Busco em minhas viagens e adoro pesquisar os mais diversos assuntos.

Música leve para o cotidiano, brasileira para a loja e, como as baianas, não dispenso ouvir e dançar uma música brega ou “arrocha” de vez em quando (temos que nos regionalizar, afinal escolhi morar aqui!) Uso muito preto, porém minha cor predileta é a que meu interior manda cobrir o exterior.

Morar em Arraial d’Ajuda permite que eu pratique vários hobbies todos os dias, uma vez que trabalho das 17h00 às 23h00… tenho o dia para mim! E a noite também! E a madrugada também! E ainda durmo!

Uma vez por ano, nas minhas férias, não abro mão de uma viagem enriquecedora, para ver novas e velhas culturas.

Finalizo, se puder, dividindo o que me faz bem: procure ser sempre uma boa companhia, nem que seja para si mesma, pois, adoro ter encontros comigo, vibrando sempre coisas positivas. A solidão deixa de existir, o vazio vira uma lembrança e a plenitude vira sua melhor amiga.

 

Por Silvia Helena Duarte Vaz

 

 

9 respostas para “Silvia Vaz”

  1. É muito bom e gratificante ver e sentir que ser e personagens tem sinergia, os mesmos valores essenciais, a mesma ética, as mesmas buscas em toda essa rica trajetória. É essa a Nena (para mim, Hilby)que, a cada dia nos enriquece com a troca, mesmo com muitas saudades da presença física. Ela soube fazer intensamente todas as suas horas, até esperando acontecer, com sabedoria, força, fé e com aquele jeitão capricorniano de ser…rsrs. Beijos, querida…te amo, te admiro. Ogulho pessoal sempre. Ciça.

  2. Aiiii…que emoção !. Estamos todos juntos, aqui, Nena, Ricardo Denise e Suzana., curtindo atraves de skypefacebookamantesdavida em vívida presença. Que saudades dessa minhairmãmusa…Você é linda e a inspiração em forma devida !!! Te amamos querida Vida!

  3. Gostamos muito, seu pai e eu, do seu depoimento. É muito bom ver a sua realização pessoal,e essa vontade de viver a plenitude de tudo. Pena que o Arraial não seja um pouco mais perto, mas para o coração não existem distâncias, bastam conexões mentais,uma espécie de Skype do espírito.Beijos da mamãe e do papai.

  4. Nessa existência, tive o privilégio e a felicidade de vir na mesma família biológica da Silvia, Nena como a chamamos, é única e verdadeira, brilhante e intensa, do jeitinho da entrevista. Personagem do mundo para o mundo, incapaz de invadir o terreno alheio a não ser por defesa, e que soube ser na essência! Uma mulher para poucos e de muitos e que eu amo profundamente…é gente que sabe!

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