• Só os fumantes podem entender ...

A passagem do tempo

Atualizado: Fev 5

Brigitte Bardot, a musa que inspirou gerações de mulheres com seu ar de menina travessa e imenso sex appeal. Aos quarenta anos anunciou sua “aposentadoria” do mundo cinematográfico, recolhendo-se em La Madrague, na costa francesa. Dedicou-se, a partir de então, às inúmeras campanhas em defesa dos animais, fazendo-se ouvir em todo o mundo. A carreira de Brigitte Bardot continuou brilhante, só mudou o palco.

Respondendo a quem se surpreende ao vê-la hoje, na casa dos oitenta, enrugada, pondera tranquilamente que isso faz parte da idade e que o contrário é que seria para se admirar. É impressionante a maturidade e equilíbrio mental de uma mulher que foi símbolo de feminilidade e beleza – muito distante de tantos astros que se transformam em verdadeiros monstros, na vã tentativa de recuperar a juventude, através de sucessivas plásticas.

Foto: Divulgação


Triste daqueles que lastreiam seus valores única e exclusivamente na beleza e juventude, sem cultivar nada além da vaidade. O tempo é implacável e transforma o espelho de amigo em atroz inimigo. Esse foi o caso de Virginia di Castiglione, uma das amantes de Napoleão III, que enlouqueceu ao perder a juventude. Apesar de imensamente rica, por ter recebido inúmeros favores de seus amantes e morar num luxuoso apartamento na prestigiosa Place Vendome em Paris, sentia-se miserável.

Quando seu filho, aos dezesseis anos, tornou-se um rapaz garboso e alto, ao invés de orgulho, encarou-o como a prova viva da sua velhice! Fazia com que se vestisse de lacaio e nunca deixava que se sentasse seu lado, quando saia com sua carruagem pelas ruas.

Virginia começou a odiar cada vez mais o mundo que a cercava, na medida em que sua beleza deteriorava. Aos quarenta anos, ordenou que todas as paredes e tetos de seu apartamento fossem pintados de preto, cobriu os espelhos e só saía à noite, com véus negros ocultando a face, para vagar como um fantasma, pela Place Vendome.

Foto: Divulgação


Proibiu finalmente que até os empregados entrassem em seu quarto para limpar e sentava-se sozinha, perdida na memória dos dias de glória, cercada por lixo e ratos. Aos sessenta e dois anos, depois de vários dias tentando acessar o quarto, os empregados encontraram-na morta, sendo devorada pelos ratos. Um único passante curioso presenciou o enterro, daquela que era admirada e desejada por nobres e reis.

Foto: Divulgação


Os dois exemplos, diametralmente opostos, de duas lindas mulheres, nos remete à poesia, que ensina como envelhecer:

“Entra pela velhice com cuidado,

Pé ante pé, sem provocar rumores

Que despertem lembranças do passado,

Sonhos de glória, ilusões de amores.

Do que tiveres no pomar plantado,

Apanha os frutos e recolhe as flores

Mas lavra ainda e planta o teu eirado

Que outros virão colher quando te fores.

Não te seja a velhice enfermidade!

Alimenta no espírito a saúde!

Luta contra as tibiezas da vontade!

Que a neve caia! o teu ardor não mude!

Mantém-te jovem, pouco importa a idade!

Tem cada idade a sua juventude.

(Bastos Tigre)

#Comportamento #História

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