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  • Ana Boucinhas

Carnaval de Veneza

Atualizado: Fev 5

Enquanto por aqui o rufar dos tambores clama a multidão pra sair às ruas no Carnaval que se aproxima, Veneza se arma com pompa e circunstância para abrigar sofisticadas festas regadas a champagne no seu famoso período festivo. Em comum apenas a dedicação ao prazer dos sentidos.

Desde a antiguidade sempre existiram uns dias reservados para a folia pagã, fosse o pretexto que fosse. Colheitas, chegada do verão, saída do inverno, caída de chuva, parada de chuva dentre outras, eram desculpas para hebreus, gregos e romanos saírem da rotina e “rodarem a baiana” em festas divertidas, cheias de comidas, bebidas e exibição de artistas.

Foto: Divulgação


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Até que a Igreja, nos idos da Idade Média, resolveu incorporar estas festas ao seu calendário pra dar uma colher de chá com antecedência aos que atravessariam a quaresma inteira sem comer carne. Oficializou-se o período para a despedida de suculentos bifes, comemorada com grande euforia.

Lá pelo século XIII na divertida Itália é claro, começaram a surgir os bailes de máscaras. Os nobres que morriam de inveja dos pobres mortais que se divertiam ingênuam, mas alegremente nas festas pagãs, resolveram aderir à farra mas… camuflados atrás das máscaras. Como esta parcela da população não era muito chegada ao trabalho, o tal carnaval durava meses.

De outubro à terça-feira gorda, com um pequeno brake no Natal, sempre havia oportunidade para o senhor conde sair da austeridade e ir se esbaldar sem ser reconhecido. Como bandidos também não fazem parte da turma que gosta do batente, logo aproveitavam do mesmo disfarce lá iam eles cometendo seus delitos sem chance de serem identificados.

Particularmente na linda Veneza, as turmas dos riquinhos e dos bandidos extrapolavam, o que levou as autoridades legais a imporem algumas regras: à noite, nada de máscaras; entrar em um convento fantasiado de mulher nem pensar e ai dos espaços das freiras que resolvessem abrir para comemorações pagãs. Aos infratores homens, prisão de até dois anos e às alegres mulheres, nada menos dramático do que serem açoitadas em praça pública, aliás, não numa pracinha de interior qualquer, mas na Piazza de San Marco!!!!!!!

Foto: Divulgação


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Em torno do século XVIII  resolveram liberar geral, mas ficou estabelecido que a tal festa durasse dez dias e olhe lá. Ponto final. Mas seriam dias em que povo e nobres disfarçados poderiam cair na farra ao lado de músicos, atores, saltimbancos, adestradores de animais, comediantes e um sem fim de ôbas-ôbas.

O negócio que girava em torno do Carnaval ia de vento em pompa até que Napoleão Bonaparte, num tremendo ataque de mau humor e cheio de si por haver dominado o pedaço, resolveu dar um basta, através da canetada que deu no tratado de Campo Formio.

Passaram-se dois séculos na maior ausência de folia e só em 1979, a história do carnaval em Veneza voltou aos trilhos, graças à nova canetada feita oficialmente.

A turma da elite financeira e cultural de Veneza não perdeu tempo e começou a promover o retorno do ritual festivo, mantendo as origens nobres como referência do evento. Assim, inconcebível a identificação dos participantes. Todos devem esconder-se atrás das famosas máscaras venezianas.

Foto: Divulgação


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A cada ano é definido um tema e sempre significativo. Em 2011, o período ressaltado no filme Senso de Visconti foi a fonte de inspiração. “Ottocento da Senso a Sissi” indicava que as damas deveriam se assemelhar à Princesa Sissi, ícone da elegância do século XIX. Naquele ano, o carnaval veneziano homenageou também os 150 anos da Unificação da Itália e as mulheres, já que o último dia da folia, o famoso Mardi-Gras coincidiu com o dia internacional da mulher.

No ano passado, de uma fonte em plena Piazza San Marco, jorrava vinho para aquecer as noites frias da cidade das gôndolas. A disputa pelos grandes bailes nos principescos salões é enorme, pois são os espetáculos privados mais charmosos do mundo.

Já para acompanhar o passeio pelas ruas e canais, o convite é aberto ao grande público, desde que cada folião se apresente devidamente mascarado na concentração.

O encerramento das festas também merece variações constantes. Mas a organização se superou ano passado, quando os turistas simplesmente foram presenteados com a visão de uma regata de barcos a remo, iluminados só por velas… passando silenciosamente pelo Gran Canale!!!

Cada País com sua cultura, mantém viva a chama do Carnaval milenar. No nosso colorido Brasil, atrás da ultrassonora bateria, garis vestidos de príncipes transformam em realidade os seus sonhos mais secretos.

Em Veneza, os descendentes dos nobres palacianos, relembrando seus ancestrais, colocam suas máscaras e vão sorrateiramente atrás das luzes que dão brilho à alegria. Mas em comum, a dedicação aos prazeres dos sentidos. As diferenças não importam. Afinal de contas… É CARNAVAL!!!!!!!!

#Eventos #História

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