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Delza Dias Ferreira

Atualizado: Fev 5

Encerrada sua brilhante carreira de Procuradora, suas “antenas” sempre ligadas aos movimentos inovadores, apontam para o desafiador mundo da informática. Ali encontrou campo fértil para expressar sua criatividade e hoje é conhecida internacionalmente por seus famosos pps. Sua modéstia não lhe permite informar ter sido um trabalho  seu sobre Istambul, o escolhido para abertura comemorativa de importante evento na Turquia.

AV – Sendo você uma das pioneiras do uso da Internet como ferramenta de lazer, quais foram seus interesses iniciais?

Delza – Será que fui tão pioneira? Bem, foi em meados de 1997 que decidi sucumbir à insistência de uma amiga. Era um tanto incompreensível e mesmo assustadora a idéia de estar conectada com o mundo. Medo era medo o que sentia. As primeiras interações em tempo real – não esqueçam de que eram somente por escrito – davam-me a sensação de estar totalmente exposta por qualquer frase politicamente não correta que escrevesse, e mais ainda por algum erro de linguagem ou gramatical… Passamos décadas escrevendo profissionalmente, mas jamais sem a oportunidade de uma correçãozinha, como num chat, não é?

AV – Nesta ocasião, você ainda exercia suas funções de Procuradora?

Delza – Não. Já estava aposentada, separada, e estreando a vida nova em tudo…

AV – Qual a sua maior preocupação às vésperas de sua aposentadoria?

Delza – É… a inatividade era um desafio. Já havia esgotado tudo o que podia dar ao Direito e fazia vôos às cegas. Primeiro, tentei escultura – é algo incrível para mexer com a cabeça da gente, mas a alergia respiratória me impedia de dar acabamento nos originais em argila. Fundi em bronze somente uma peça, e gosto muito dela.

AV – Sua necessidade em manter ativa a sua capacidade cognitiva, certamente a levou a interagir com a tecnologia. Como se deu este processo?

Delza – Pela incompatibilidade entre a pintura e minha falta de talento, encerrei a busca em Artes Plásticas. Voltei para o piano depois de 37 anos. Meu ouvido exigia o som de cada nota num momento exato que meus dedos eram incapazes de produzir… Fechei novamente o piano.

AV – Sua sensibilidade fortemente apontada nos seus pps (9KK) estava adormecia, ou você a manifestava em outra forma de arte?

Delza – Nunca supus que tivesse sensibilidade especial para Arte, à exceção do tanto que sabia ser especial na interpretação de românticos ao piano, até meus… 13 anos de idade.

AV – O que a levou a dirigir-se para a criação dos seus pps maravilhosos?

Delza – Bem, estudei oito anos de piano e, portanto, um pouco de História da Música. Em 2006, recebi um PPS sobre a Sonata ao Luar de Beethoven. O fundo musical havia sido tirado de uma excelente interpretação que me encantou, mas o conteúdo do arquivo era literalmente revoltante para quem conhece um mínimo de Música.

Resumindo o despautério: aquele arquivo atribuía a inspiração daquela obra-prima a uma ceguinha que morava na mesma pensão que Beethoven, onde ele a teria ouvido exclamar: – “daria tudo para ver uma noite de luar”. E depois, o compositor, ao ouvir sua Sonata, se emocionava e sempre chorava. A essência não ia mesmo muito além disto…

AV – Qual foi o seu primeiro pps? 

Delza – Surgiu-me a imperiosa necessidade de resgatar a verdade e elaborar um desagravo à memória de quem tinha tanta consciência de sua grandeza que ele próprio se proclamava o Napoleão da Música. Surgiu o grande impasse: um impulso incontido bloqueado pela total ignorância de meios para alcançar o fim desejado.

Não sabia o que era um PowerPoint. Embrenhando-me pelo emaranhado método de erro e acerto, desconstruí aquele atentado à memória de Beethoven e reformatei o PPS com a verdade não só da origem da Sonata, como da própria personalidade de Beethoven que, de “chorão”, não tinha nada!

Os amigos gostaram do resultado – eu também – e fui tentando mais alguns… até que um dia aprendi – acho que de verdade!

AV – Como você se inspira para chegar à escolha do tema que vai desenvolver?

Delza – Complicado… Para decidir uma formatação, é preciso estar apaixonada – e quase sempre de modo arrebatado – por um tema, ou por uma música, porque fundamentalmente é sempre música o que me movimenta. Se a peça musical não for o disparador da inspiração, aquela que for escolhida como fundo sonoro tem de me seduzir com uma condição bem aproximada.

AV – Você tem preferência especial por algum deles? 

Delza – Sim. Por todos. Hoje posso afirmar que sou a mais atenta espectadora de meus trabalhos e, por isso, abro espaço para todas as possibilidades de emoção que eles possam conter. Enquanto um arquivo não me dispara um arrebatamento profundo – e isto só acontece pela música escolhida e pelo que ponho de mim mesma nos textos – não publico.

AV – Quantos trabalhos você já realizou? 

Delza – Estou em fase de acabamento do 60º. Alguns, como este que está no “prelo”, elaborei em menos de uma semana, enquanto o de Budapeste, Picasso, e alguns outros, demorei por volta de 120 dias – muitos deles com perto de 12 horas de trabalho/dia.

AV – Como é feita a divulgação da sua arte? 

Delza – Tenho enviado para a lista de correspondentes que foi se formando à medida que os arquivos foram sendo repassados entre amigos, e que de há muito passa de 1.500 e-mails (entre nacionais e estrangeiros). Há uns cinco meses, divulgo também pelo blog: www.culturesandart.com

AV – Seu www.culturesandart.com.tem sido regularmente apresentado também em inglês, significando que seu sucesso atravessou fronteiras. Qual o percentual de estrangeiros que são apreciadores do seu trabalho?

Delza – Conforme se pode verificar nas aberturas do blog, hoje, a contagem é de 31, 844 páginas visitadas na partição em Inglês, e 137, 861 na parte que foi formatada em Português. Na contagem efetuada pelo contador Histats, pessoas de 121 países já conheceram o blog desde sua abertura em 03.10.2011.

AV – Muito provavelmente você teve conhecimento de que cultures and art. constava como favorito do recém-falecido Millor Fernandes. Como foi para você esta informação? 

Delza – Sim, através de um desconhecido que me escreveu, fui informada de que o arquivo original sobre a Forbidden City era o destaque da semana na Coluna Internet Nota 10 do blog do Millor. Pensei que se tratasse de uma brincadeira, mas fui conferir… Bem, fiquei exultante, mas foi mais gratificante ver agora, depois de sua morte, que meu trabalho ficou fazendo parte integrante do espaço particular de Millor Fernandes na Net, que a surpresa primeira de saber que um arquivo meu fora escolhido para ser destaque só naquela semana, como supus inicialmente.

AV – Quantos são os seus apreciadores atualmente?

Delza – Nem por estimativa consigo responder…

AV – Que emoção se apresenta em destaque quando recebe elogiosos comentários dos seus fãs?

Delza – Todos os que me chegam com características de autenticidade na descrição das emoções despertadas, me colocam praticamente em “alfa”. Nada é mais gratificante que ter notícias de que um ser humano experimentou emoções positivas despertadas por uma criação da gente! Não há como descrever. Como não tive filhos naturais, creio que a emoção que me invade nessas ocasiões se assemelha ao sentimento de uma mãe diante a aprovação de qualquer feito de um filho seu. Emoção talvez maior, talvez menor…

AV – Seu ultimo pps sobre Budabeste está maravilhoso. Já está definido qual o próximo que iremos nos deliciar?

Delza – O seguinte a Budapeste já foi “para o ar”…

#MulheresMaduras

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