• Só os fumantes podem entender ...

Encontro mundial dos ciganos

Atualizado: Fev 5

Encontro mundial dos ciganos – Saintes Maries de La Mer 

Foto: Divulgação


Anualmente os ciganos espalhados pelo mundo, homenageiam a sua padroeira Santa Sara Kalil no dia 24 de maio. Mas é em Saintes Maries de La Mer, onde milhares de ciganos aportam para festejar a data. O pequeno vilarejo torna-se o palco onde explodem cores, odores, músicas e danças trazidas pelos peregrinos.

Para entender o ritual da alegre e colorida procissão, cabe uma rápida volta à origem da cerimônia. Dita a lenda que lá pelos anos 44/45 o Rei Herodes ordenou que todos os discípulos, amigos e seguidores de Jesus Cristo, fossem colocados em  embarcações lançadas ao mar e deixados à própria sorte.

Foto: Divulgação


Numa destas balsas, estavam Maria Madalena, Maria Jacobina , irmã da Virgem Maria, Salomé e a cigana negra Sara.

Singrando os mares, atravessaram uma forte tormenta que levou todos ao desespero. Foi quando Sara retirou o véu que a protegia e prometeu a Jesus que caso sobrevivessem, jamais descobriria a cabeça. Aí a origem dos véus usados pelas ciganas.

Chegaram são e salvos a ‘Port Rhone’, hoje Saintes Maries de La Mer. Sara Kalil mais uma vez foi jogada a própria sorte, pois foi descriminada pela sua cor. Enquanto seus companheiros foram levados a uma cidade vizinha, ela ficou à deriva no novo piso.

Um grupo de ciganos acolheu a jovem Sara que pela vida inteira mostrou-se caridosa, sábia e portadora de dons divinos.

Sempre que solicitada, realizava os pedidos, sobretudo os que versavam sobre mulheres que não conseguiam gerar um filho. Em paralelo, aconselhava aos seus protetores a tornarem-se unidos e se desenvolverem como um povo que respeita e mantém a própria cultura.

Graças aos seus milagres foi canonizada pela Igreja Católica em 1712. Situada a protetora dos ciganos no espaço e no tempo, torna-se claro aos gadges, ou seja os que não pertencem a grupos ciganos, o significado da majestosa procissão.

As 16h da cripta da Igreja, seis ciganos vestidos de branco, sustentam o andor que leva a imagem de Santa Sara, que é recebida com aplausos e músicas pela multidão.

Uma imensa serpente humana, desliza pelas ruelas que levam ao mar. Milhares de ‘Carmens’, ‘Sulamitas’ e ‘Consuelos’, com seus coloridos trajes, acompanham ‘Igors’  e ‘Pablos’ ostentando seus facões e medalhas.

Ao contrário dos cortejos católicos onde impera a concentração, músicos alegram os participantes com suas musicalidades. Chegando ao mar, enquanto a imagem é levada para saudar as ‘Marias’ representadas por esculturas, o bispo local, de uma canoa de pescador, abençoa todos os presentes.

Sem perder um Pelegrino, a serpente humana faz o caminho de volta, até a entrega da imagem  à cripta. A partir deste momento, a pacata Saintes Maries de La Mer é transformada em uma dinâmica e alegre cidade.

Foto: Divulgação


Centenas de acordeons, violinos, violões, guitarras, palmas de mãos e batidas de pés espalham-se e vão dando toques para a vigorosa e sensual dança cigana. A festa  continua noite a dentro, e velas coloridas e fogueiras esparsas iluminam todo o vilarejo.

Esta comemoração repete-se anualmente, desde a Idade Média. Mas, apenas a partir de 1935 os gadges tem permissão para dela participar. Diante do respeito e admiração concedida pelos protegidos de Santa Sara, não há como negar a existência da santa negra.

Chegando o amanhecer, tendas e barracas vão sendo desmontadas, ainda ao som das melodiosas músicas. Com a saída dos ciganos, a cidadezinha ainda rescendendo a incenso de lótus, retoma a sua tranquila vocação. Apenas os milhares de lenços coloridos colocados aos pés da imagem da Santa, dão indícios de que ali costuma ter uma importante comemoração de ciganos.

Foto: Divulgação


Foto: Divulgação


Estes partem em caravanas e deixam gravada no ar, a ‘Máxima’ do seu povo:  “O CEU É O MEU TETO, A TERRA A MINHA PÁTRIA É A LIBERDADE A MINHA RELIGIÃO”.

#Comportamento #História

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