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  • Ana Boucinhas

Geração fifty fifty

Atualizado: Fev 5

por Ana Boucinhas

No delírio da minha pretensão, cheguei a avaliar até pouco tempo atrás, se teria realmente valido a pena ter participado da revolução comportamental da mulher do século XX.

A minha geração provocou a saída da zona de conforto em que as mulheres se encontravam e acabamos por oferecer uma cansativa dupla jornada de trabalho a elas.

Durante um bom período, os maridos limitavam-se a assistir passivamente o entra e sai da mulher que ia para as faculdades ou para o trabalho, e ao retorno ao lar, tudo para ser arrumado… Eles continuavam a manter a suprema posição de chefe de família, num misto de filho mais velho, aliás.


Foi num recente esplendoroso domingo de sol que meus “carrillons” internos ecoaram o som da alegria que vem da alma diante de fatos impensados . Lá atrás, um clube era o local de lazer para os maridos e de inquietante preocupação para as mamães que mantinham sob as suas esfrangalhadas asas, a própria cria. As então coitadas, não podiam alçar um mínimo voo, pois ao menor descuido… perigo à vista para os pimpolhos. A eles cabia apenas acertar a conta no final do período e olhe lá.

Foi um tremendo choque de realidade ver o novo cenário no antigo clube.


Garotões sarados trocavam numa boa a fralda dos seus bebês, enquanto jovens mamães batiam descontraídos papos nas mesas do bar com as asas livres leves e soltas. O olhar mais atento me levou a perceber de imediato que não houve inversão de papéis. O casal simplesmente passou a alternar na maior tranquilidade os cuidados com os filhotes. O bastão da responsabilidade agora é passado sem o menor sinal de aborrecimento, de um para o outro. Ficou evidente que as danadas declararam numa boa o fim da supremacia masculina !! Daqui pra frente só aplausos pela continuidade que as mulheres deram ao movimento feminista quase agressivo da década de 60.


Diante de tanta colaboração, comecei a entender e a achar natural a divisão de contas na hora de pagar um jantar. Seria um golpe de mestre terem conseguido aliar a paridade de funções à manutenção do marido como fiel provedor. Mas realmente é um pensamento que só passa pelas mulheres lá de trás como eu, pois as agora maravilhosas mulheres da geração fifty fifty não teriam a pequenez de explorar seus companheiros.

Mal sabíamos quantas alterações positivas estavam programadas para as futuras gerações !!!

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