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‘Introdução às religiões chinesas’

Atualizado: Fev 5

Livro mergulha nas religiões chinesas

Obra percorre a história da China desde a dinastia Shang até os dias de hoje

Foto: Divulgação


Para compreender a China, defende Mário Poceski, autor de Introdução às religiões chinesas, lançado pela Editora Unesp, é preciso um olhar atento para as profundas mudanças socioculturais provocadas pelas reformas econômicas iniciadas em 1978 no país. E, também, para os amplos reflexos de tais mudanças sobre a importante e complexa arena religiosa chinesa, que atualmente passa por uma forte revitalização. Singular pelo didatismo e abrangência, e generosamente ilustrado, este livro percorre a história da China, desde a dinastia Shang (c. 1600-1046 A.C.) até os dias de hoje, para revelar um rico retrato da religiosidade plural do povo chinês.

Apesar da corrente profusão de cultos e crenças, mostra o autor, não existe plena liberdade religiosa na China, pois o governo tenta controlar as manifestações. Tal prática, no entanto, é antiga, vem dos tempos do império. O inusitado, hoje, é que o governo esforça-se para convencer os fiéis de que suas investidas visam na verdade facilitar a conciliação entre socialismo e religião.

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Na cena fervilhante surgiram novos grupos, como o Falun gong, enquanto crenças e práticas tradicionais revigoram-se e transformam-se de modo a atender às demandas culturais e sociais dos novos tempos. Poceski lembra que a diversidade religiosa poucas vezes produz tensão na China. Ao contrário, as diversas religiões historicamente compartilham espaços comuns na sociedade, em geral de forma pacífica. Ele cita como exemplo a dinastia Tang (618-907), um dos períodos de maior pluralismo religioso, em que coexistiam credos tão diferentes quanto o budismo, o confucionismo, o taoismo, o cristianismo, o islamismo, o zoroastrismo e o maniqueísmo.

Hoje, predominam as religiões tradicionais e milenares – o budismo (nascido na Índia), o confucionismo e o taoismo (originais da China), o islamismo, o cristianismo e as religiões populares. Estas últimas, forjadas ao longo dos séculos e constituídas de inúmeras manifestações amplamente difusas, estão fortemente presentes na vida religiosa do povo chinês, mas são marginalizadas pelo governo, subestimadas pelos defensores das grandes tradições e rejeitadas pelos secularistas descrentes, que as consideram superstições antiquadas.

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A reboque da revitalização, conta Poceski, proliferam cursos voltados à formação de clérigos no país, cujo currículo está sujeito à aprovação e à supervisão do governo. Paralelamente, nasce uma expressiva indústria de publicações religiosas – de panfletos de perfil popular a revistas, livros e reedições de obras canônicas, como os clássicos confucianos, as escrituras budistas e a Bíblia, que a China reproduz aos milhões para abastecer inclusive mercados externos.

O autor

Mario Poceski é professor associado de estudos budistas e religiões chinesas na Universidade da Flórida. Tem doutorado em Línguas e Culturas da Ásia Oriental e especialização em estudos budistas pela Universidade da Califórnia.

#História

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