Lígia Devito Cury

Atualizado: Fev 5

Lígia Devito Cury com suas ponderações enriquece nosso portal ao abrir frestas do entendimento sobre a Doutrina Espírita.

AV – Começamos o novo século com liberdades inexistentes no passado, inclusive a religiosa. Ao seu ver, qual o impacto da veiculação exaustiva do Espiritismo na mídia?

Lígia – Nos dias atuais, existe uma onda de espiritualização no nosso planeta. Ao contrario de transmissões fantásticas e misteriosas em cadeia mundial a ação dos espíritos se dá através da inspiração de profissionais da mídia que captando a importância das ideias espíritas, usam as respectivas ferramentas para divulgá-las. Temas restritos à Doutrina, como a Reencarnação, a Comunicabilidade dos espíritos e Imortalidade da Alma, por exemplo, tornam-se temas de filmes, novelas, filmes e publicações. O mundo espiritual invade sutilmente o plano terrestre, despertando perplexidade e levando o homem a despertar para a realidade transcendental.

AV – Como e quando você se aproximou do Espiritismo?

Lígia – Nascida e criada em família católica, passei por enfermidades na adolescência que me levaram a reflexões íntimas surgindo questionamentos sem respostas que me esclarecessem. Já casada, fui levada por uma grande amiga a uma Instituição chamada Espírita Seara Bendita, em São Paulo. Ali me encantei com a doutrina Espírita e dediquei anos de estudo e fiz diversos cursos que me levaram a praticar a caridade no serviço desinteressado ao próximo. Tornei-me assim, servidora da casa.

AV – A seu ver, qual a maior contribuição do Espiritismo para o homem?

Lígia – A Doutrina Espírita oferece uma visão ampla da existência, justificando a passagem pela vida terrena. Através dos ensinamentos, passamos a ter a conscientização da necessidade da nossa transformação moral, o que nos leva ao aprimoramento intelectual, moral e espiritual. Além disto, nos transmite conhecimentos milenares a respeito da Lei da Ação e Reação e da Lei de Causa e Efeito. Entendendo sermos responsáveis por nossos atos, e deles resultarão dores ou merecimentos. Durante inúmeras reencarnações nós vamos depurando e aprendendo a respeitar as Leis Divinas, caminhando em direção à perfeição moral.

AV – Sendo a finalidade do Espiritismo a evolução do homem através de vidas sucessivas, como é explicado o processo?

Lígia – A vida espiritual é a vida normal do Espírito e a existência corpórea é uma fase temporária. Tendo como meta a perfeição moral, esta dificilmente é alcançada em apenas uma vida corporal. A existência na terra é necessária para galgar certo grau de perfeição. Em cada reencarnação, o espírito traz o progresso realizado em vidas corpóreas anteriores. O estado de felicidade ou de infelicidade do espírito é inerente ao adiantamento moral em que se encontra. As vicissitudes e as dores são consequências da prática do mal. Leon Denis, considerado o apóstolo do Espiritismo assevera: “Sem dúvida, as falhas do passado recente (desta vida) ou remoto (vidas passadas) recaem sobre nós com todo o seu peso e determinam as condições do nosso destino”.

AV – Muçulmanos também são monoteístas e com explosões de radicalismo. Como o espiritismo encara estes fatos?

Lígia – Todo partido ou doutrina religiosa sectária e dogmática, espiritualista ou não, hipertrofia-se evolutivamente quando insiste em manter o domínio das consciências. Os países que estacionaram em conceitos religiosos ultrapassados, ou ideias políticas e sociais impraticáveis nos dias atuais, acabam por reagir ao progresso, tendo como única saída à fomentação de guerras e atos terroristas. Encontram-se no estado de barbárie espiritual. Ao contrário, o Espiritismo é acima de tudo o processo libertador das consciências, permitindo ao homem alcançar horizontes mais altos. É a Religião do amor, a Filosofia do comportamento e a Ciência da observação. Não existe bem-estar sem liberdade de pensar e agir. E esta condição não é auferida aos radicais.

AV – Você acredita que no futuro as religiões cristãs podem se unir e iniciar um novo ciclo de evangelização?

Lígia – Um velho ditado preceitua: “Todas as religiões conduzem a Deus”. É evidente ser Deus o objetivo de todas as crenças. Mas o apego pelas tradições inócuas, pelos dogmas e pelas superstições, faz com que sigam caminhos diferentes. A falha maior dos condutores de muitas religiões é julgar ser a sua a única verdadeira. Ao invés de procurarem uma aproximação, fecham as portas para qualquer tipo de entendimento, não admitindo qualquer revisão nos seus inflexíveis princípios. É necessário que se coloquem em seus devidos lugares, não se arrogando representantes de Deus na Terra, ao ponto de perdoarem os pecados, de elegerem santos e de condenarem ao utópico inferno aqueles que não seguem seus preceitos.

Líderes começam a se reunir em todos os pontos do planeta para ajustarem suas ideias inteligentes com decisões pacíficas, mais fraternas e solidárias. Podemos notar já um enfraquecimento dos preconceitos raciais, que permite um brilho tímido da luz do sentimento de igualdade. Respondendo assim à sua pergunta, acredito sim que no futuro, todas as religiões cristãs terão como base a fraternidade universal.

Mesmo que os homens se definam como budistas, hinduístas, taoistas, judeus, muçulmanos, católicos, protestantes, espíritas, evangélicos, etc. o importante é vivenciar a LEI DO AMOR. Praticar o Bem, a Paz e a Fraternidade, o rótulo pelo qual se identificam perde a importância diante das realizações superiores.

Apesar da cor, da raça, da crença, da insígnia política ou filosófica, a “VIVÊNCIA DO AMOR É QUE DISTINGUE O HOMEM DE BEM”.

O amor é universal e independe de qualquer religião!!!!

#Comportamento

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