Ossos do Ofício

Atualizado: Fev 5

por Maria Eugenia Cerqueira

De uns tempos para cá, meu corpo começou um movimento de rebeldia, de total independência, que está duro de aguentar. Primeiro, as juntas iniciaram um diálogo entre si, ininteligível mas perfeitamente audível: créc, créc. Sem ritmo nem constância, aleatoriamente. Tudo bem, não doendo, podem conversar à vontade que não me incomodo – até me fazem companhia. Quem viu o Mágico de Oz, lembra por certo do homem de lata: “put some oil to me…”- também estou precisando de lubrificante nas juntas. Passo creme hidratante na pele por fora mas precisa ser por dentro! Ocorre que os dedos das mãos também iniciaram um outro tipo de revolta. Os nódulos alargaram e o que antes era reto, hoje é torto. Preocupada, fui pesquisar e tirei umas radiografias. O técnico que acompanhava o exame, inquirido sobre a eventual existência de algum problema, limitou-se a afirmar que o que estava vendo era exatamente o esperado… para a minha idade. Palavras reconfortantes… Foi quando o fêmur resolveu que seu encaixe com o resto do corpo precisava ser mudado e, aí sim, começou a doer. Pratico corrida de rua e efetivamente dependo das minhas pernas não somente para meu esporte como para meu equilíbrio mental. Tudo pode falhar menos pés e pernas.




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