Poesia do Faxineiro

Atualizado: Fev 5

por Maria Eugenia Cerqueira

Pobre de quem imagina Já que a sujeira abomina, Ter feito toda faxina, Como manda a disciplina. O trabalho encerrado, Vem o pó bem descarado Pelo vento acelerado, Enche a casa do coitado Que mal havia pousado A vassoura ao seu lado. O que dizer para o povo? Começar tudo de novo? Assim a casa se suja, O que é de ferro enferruja E não há como se fuja Se a sujeira sobrepuja. Recomeçando sem gosto Mas com sorriso no rosto Pois mais vale estar disposto Do que morrer de desgosto. Saudades de quem fazia A limpeza a cada dia, Daquela vida vadia, Que a infância lhe permitia. Lembrança imorredoura, Mas seja benvinda a vassoura, Tarefa não duradoura Na contramão da lavoura Que não foi acolhedoura. A ida para a cidade Com a falsa liberdade Da vida em comunidade, Buscando oportunidade. Pede então ao pó piedade, A sua cumplicidade, Na plena serenidade, De quem teme a ociosidade.


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