Poesia do Faxineiro

Pobre de quem imagina

Já que a sujeira abomina,

Ter feito toda faxina,

Como manda a disciplina.

O trabalho encerrado,

Vem o pó bem descarado

Pelo vento acelerado,

Enche a casa do coitado

Que mal havia pousado

A vassoura ao seu lado.

O que dizer para o povo?

Começar tudo de novo?

Assim a casa se suja,

O que é de ferro enferruja

E não há como se fuja

Se a sujeira sobrepuja.

Recomeçando sem gosto

Mas com sorriso no rosto

Pois mais vale estar disposto

Do que morrer de desgosto.

Saudades de quem fazia

A limpeza a cada dia,

Daquela vida vadia,

Que a infância lhe permitia.

Lembrança imorredoura,

Mas seja benvinda a vassoura,

Tarefa não duradoura

Na contramão da lavoura

Que não foi acolhedora.

A ida para a cidade

Com a falsa liberdade

Da vida em comunidade,

Buscando oportunidade.

Pede então ao pó piedade,

A sua cumplicidade,

Na plena serenidade,

De quem teme a ociosidade.


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